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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Povoador de Solidões

As populações de minhas solidões estiveram caladas, não havia sequer um numero de habitantes invisíveis a serem contados e perante a qualquer circunstância resgatando minha alma imaculada morri antes de me me sentir morto, a pureza dos santos macabros dominava a solidão de cada um dos meus demônios, eles me tocavam como uma harpa quebrada nas mãos de anjos nefastos.
O Som alto da agonia  estrangulava as noites de silêncio  em que os corpos tomavam a proporção dos inquilinos condenados ao inferno, não nos digam que culpa temos, mas sim a quem devemos matar, então entre as luzes que se apagavam no inicio de cada manha de tormento somente tento respirar partes deste ar escuro  desvendando os olhares in vitro que minhas serpentes lançaram  pelas entranhas da noite, respiro novamente, mas agora em lágrimas cegas os introspectivos silêncios em que fui obrigado a beber, claustro, falso, insano e perverso me afogo na verdadeira culpa insana de minha covardia bastarda, calome em palavras fecundas que me cegam mais do que a distância que meu silêncio podia percorrer.


Entre a Lamina e a Forca

Teus olhos negros penetravam a transparência dos meus sentimentos,
Envolto aos teus cabelos, tua pele marcava a minha para sempre
E todos os sentidos foram divididos da pior maneira possível.
Então encontrei meu carrasco, fazendo de minha mente o próprio algoz
Dentro desta nuvem de solidão infinita.

Amarro teus cabelos em volta das minhas mãos e abrome em partes desiguais,
Enquanto o canto de nossas peles nos ensurdecem
Ouço o som da saudade se aproximar.

Casa de espelhos inversos
Nos versos calados na descida da colina,
A falta de minha identidade
Cala qualquer tipo de sentimento,
Vejo meu reflexo verdadeiro,
Mas não mais me cortarei em pedaços.

E por onde passo não vejo mais significância real na realidade...

Coloco teus seios no meu altar de solidões profundas,
Inverto a distância, nesta falta de crença no amor,
Beijome então com a pureza desgraçada que ainda me resta,
Não posso dizer adeus,
Pois não estou mais em lugar algum.



quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Sobrenome

Pólvora e poder, molhados em água seca e fria.
Algas marinhas,
Unicórnios amestrados,
Postos, repostos, entrepostos,
Vigílias, apague as velas da tua alma.
Tua cabeça foi arrancada, apagada...
Então acenda a ira em volta do teu corpo mutilado
Ressurreição,
Sete dias?
Quebre a coroa, antes que sua cabeça caia.
Os cavaleiros irão chuta-la com espadas cegas,
Marcarão teu corpo com os sinais do tempo
Em que não teve tempo para fugir.


Sou o garoto que morreu sentado em frente a tua cela, cabelos enveredados na videira da morte, completando os quebras cabeças com peças de porcelana quebradas, apóstrofe incendiando os espectros iluminados, apagando cada cereja podre em cima deste pedaço de bolo enlameado, auto inflama, retrospectos inaudíveis lançando chamas, cavalos cegos, soldados machucados nas florestas do destino, soldam os corpos com pedaços de vidro.

Acendo em Nós

A insegurança me atinge em níveis catatônicos,
Quando atravesso a rua, vejo aquele óvni me atropelar
Faremos então em minha mente uma icognita
Desenhando o destino na fumaça desta água.

Acendo em nós uma chama apagada,
Não vejo cores quando sonho
Conto cada minuto em um conta gotas quebrado
Desespero te em teu despertar.

Da arma enferrujada apontada para as falhas,
Tenho em nós a esperança,
Em minha espaçosa desvalia
Armada e amordaçada.

Vivo o hoje para que o amanha não destoe...
E no desabrochar de todos os minutos
Minha mente não esquece os frutos,
Que não colhi mas foram a mim dados.



Disparates

Se eu fosse o sol, 
Sufocaria as estrelas
Comendo grãos de asfalto,
Bebo as vísceras de meus irmãos mortos

Se eu fosse a lua
Cortaria teus olhos em pedaços
Mudaria a cor dos meus traços
Trocaria teu sexo
Na mesma hora em que me desfaço.

Enfermo e cansado estaria,
Desabotoando a pele presa a mim.
Engulo os parasitas que morrem
Afogados em minha garganta
Vivendo dias em morte.

Escurecendo o passado,
Esqueço o amor,
Amante dos vermes
Das pinturas do acaso.

Se eu fosse uma estrela,
Cairia em pedaços
Sem luz e sem vida
Adormecendo em peles descascadas.

Se fosse o amor
Me amaria de ódio,
Sendo ódio então
Partes do infinito, que se acabarão


Entre o Sono

Enquanto eu tocava teu corpo, a vida me cobria de morte
Todas as línguas entrelaçadas em forma de serpente
O rei morto suspira em declínio, suplicas,
A noite os soldados jogam cartas
E bebem do próprio sangue.
Correndo todas as manhas seguintes para caçar os sonâmbulos.

As mulheres morrem todas as tardes antes do jantar
Agarram se a elas mesmas com com as unhas arranhadas
E os sonhos de tão enferrujados derramam as nuvens do céu
Abaixo dos pés.

Todos os anjos estão mortos
A juventude de tão cansada somente caminha
Pelas estradas do nada.

Eu nunca estive certo
E qualquer palavra esquecida
Não será, nunca lembrada por alguém
Nós nunca soubemos como dizer
Entre uma explicação
Em ruínas as lágrimas choram
Pela eternidade.

Toda juventude morreu
E os anjos de tão mortos, caminham,
Caminham sem pernas pelas florestas da noite.

Eles me fazem favores
Rasgam minha pele
Estivemos contaminados por anos
Por todo e qualquer tipo de beleza
E quando o frio da realidade nos tocava
Adormeciam então, os sonhos cansados.



quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Solução = vazio.



Indignos sentidos presos em asas livres Flores e espinhos obviam o contexto masturbado O sentimento reverso subdividido e forjado, atrofiado. Ignorar o sentido quando lhe convém, Atracando me as almas do além, Valer ou não valer o tempo perdido, ganhado? Esquivam-se sobre minha alma, alguns estranhos fatídicos. Espadas da coragem escondidas à espreita Atras da porta aberta, tranco-me em indecência, Sumiço momentâneo na procura doentia, a falta. Amores jogados fora, para dentro da vulva, rebeldia interna, Externa em brutos sentidos, inalterados goles de histeria. Crise existencial, inexistência de perda. Tristeza. Sentir as dores físicas entre chicotadas de drogas e remédios. Mau mesmo é sentir na alma, negando o dote dado no carro em movimento, Esquivando-me da tua lamina muscular que o cérebro não comanda, mas deveria, Em busca do meu sexo, tuas teorias não preencherão minha vagina vazia. A alma sente dor, não se compra, não tem preço, sim valor, Um buraco no escuro, o vazio. A alma sente dor.
Acreditar em partes é não saber mais nada. A alma é simples. Assim como uma equação com raízes negativas, Sem solução. Solução = vazio. Não há resolução. Não há remédios, Pra alma em colapso. A matéria em dor? Inevitável. Apalpo em mim então o universo em minhas carnes, Negando em mim o papo da mesa ao lado, O inverso sempre é acompanhante de insanidade e desrespeito. Segure o cetro de tua glória mumificada, respire, vire-se introduza, No lado de dentro bem la no fundo onde desejas colocar, Sem saliva a seco, precisa de ajuda? Eu introduzo em ti, um pedaço, o teu inteiro! Não doeria em mim, se fosse em ti, Nem um terço das palavras entre um gole e outro, Entre um passo e outro.
Um machucado uma ferida, que eu já havia cicatrizado Abriu-se notavelmente, a alma, o buraco, o vazio... o abismo Ambiguidade infernal essa que me traz e eu faço, Das traças amigas fiéis companheiras de minha viagem, Falhas nas demonstrações de afeto, vícios literários Orgulho feminino intacto, o que de mal? Projeteis de corpos jogados contra a parede. Alinhando o meu de maneira desconexa, Fazendo-me o corpo em decomposição Decomposto viral de sobras inquilinas de tuas vaidades, Verdades? Não, eu não preciso, Gozo imposto por manipular a manipulação, Marionete do tempo e da personalidade. Bipolaridade ? O meu amor não merece teu endereço, Como o teu pau, e não mereces minha vagina. Sobressaindo dos teus delírios que me acompanham no ônibus lotado, Ou envolta a neblina do caminho de volta pra casa na madrugada, Não serei tua oferenda, não se ofenda, eu me defendo, Das palavras mordazes ditas ao pé do ouvido, Balbuciando o que achas ser correto, o que achas de todas "eus" Espero que morras entalado com tua língua em minha garganta, Ricocheteando os olhares depravados, não entrego os meus Que também são dignos de culpa, avarias, escarros e escárnios.
Puritana? Quem? Eu? Não faça-me vomitar em tuas moléstias, No oblíquo caminho de volta prefiro ficar sozinha Em meio ao meus goles de cansaço, Em minha dança você não cabe.

Homenagem a minha poetisa preferida, agradeço por ter ajudado a nós.


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Suave


Respiro as lagrimas com o terço quebrado em mãos,
Não, não meu amigo, isto não é uma oração.
Elevo muito cada minuto de perdição,
Não, e sim ao mesmo tempo em que não.

La por onde aqueles versos foram enterrados
Eu via que tudo era incerto, comovente, não?
Tente olhar em minha face, enquanto durmo,
Se eu acordar é porque estou morto.

Tão suave e tão tendencioso é o que tu emana,
Por isto e somente, eu desejei hoje dormir por séculos.
Inatingível este desejo tão desnecessário,
Da face leiga de meu eu ordinário.

Reacendo o fogo que clareava em escuridão,
Inaceitável seria o que o presente me daria,
Testaram em meu corpo todas as anomalias,
Na face leiga de meu eu ordinário.



domingo, 14 de julho de 2013

Cemitério

Seu brinquedo quebrou,
O brinquedo quebrou-se
Quebraste-ei em silêncio,
A noite em minha vigília.

Espera-te o que eu guardo,
Espera-me o que devolvo
Em desalinho cada minuto roubado,
Não vale a pena.

Malditas foram estas as tuas palavras,
Não vale a pena,
Não vale a pena,
Malditas foram estas as tuas palavras.

Não vale a pena?
A chaga, a branda pena
A culpa cura, a vaidade,
Do que teve.

Do que tens o ego fundido e crucificado,
No alto escalão do meu peito podre
Diferenciou a pena da culpa,
A dor em calmas chamas.

Se apenas vale a pena culpa,
Do que valeu em paz,
Do que guardar no cofre,
Da alma que mente e brinca?

Se a pena chaga a podridão do que sou
Eu fui o que não mais serei
Pra dizer te-ei um dia também
Não vale a pena.

Malditas foram estas as tuas palavras,
Me feriram mais do que qualquer,
Acido ou soda caustica banhando-me o corpo
Invalido e putrefata pele a mente calou-se.

Em sorrisos invadindo a floresta de minha alma,
Em carbone e apodrecimento alimentando cada minuto de dor,
Em que me destes de presente em pele,
Saliva, mucosas e olhares, sentimentos e sussurros.

Assim temos ao que cada letra destas que estas palavras me causou
Não vale a pena,
Não vale a pena,
Malditas estas foram as tuas palavras.

Que sangram agora eternamente em minha morte,
Se em ressurreição eu me lembrar,
Não esquecerei do que vale a pena,
Pra um dia minha alma adoecida dizer te-ei também.

Não vale a pena,
Não vale a pena,
Malditas estas as tuas palavras,
Malditas estas as tuas palavras.

Que agora atormentam e ferem a alma adoecida,
Do instrumento descartável e perecível,
Calou-me a alma inconsequente
Conectando-me a desfalecer,
Falecimento.

A musica morre na tumba,
No cemitério de minha ilusões momentâneas,
Calo-me em alma e resignação,
Não esperavas este, não vale a pena.

Malditas estas foram as tuas palavras
Que me feriram, cegando-me mais que o cego alarde,
Quebrando os espinhos das rosas maculadas,
Matando as flores mortas no meu peito.

Branda assim a chuva carrega então
Levemente as tuas mentiras
Brincando eu de cabra cega
Subestimei sim, como eu subestimei.

Enfiei o assim o amor no retro,
Vomitando cada pétala pelos poros,
Fazendo dos pelos, pernas o desassossego,
Morrendo assim em um minuto o que dei a ti para eternidade.




Pálpebras

Mastigarias a carne leprosa,
Beberia soda cáustica,
Morderia uma tumba?
Ou chuparia um cadáver?

Na linguá que transmuta de si para si,
A absolvição passageira é termo de culpa,
Abreviatura do nome gravado no termômetro
Brando e litorâneo, canal do descaso.

Extremo liquido que esvai,
Pingando água e óleos de cor rebuscada,
Respiro o respingo do que resta ainda perder,
Perdoando cada hipocondríaco pensamento.

Explicito penso no espesso diluvio,
Calamitoso o viril alarde,
Não dobrei as pernas
Cauterizei as pálpebras.

De muito cego me pergunto,
Entornando a pele em cristo
Sufoco a cruz em queda,
Mastigo os planos torpes.

Externo interno câncer
Petrifico a espirito dolente
Em brancas negras duvidas,
Extravio em certezas.

Se eu pudesse engoliria fogo,
Mastigaria a água, o vidro a pena,
Abençoaria enfim a química do sangue
Estupidificando o calmo golpe.

Alerto o alarde em cena
Juiz do extremo norte
Débil cura ingenua
Agonia translúcida, esconda.





Sempre as Reticências...

Ludibibriando as nuvens no céu cinza
Vejo a alma azul pular pela minha janela
Defronte a esquina em estupida partida
Desloquei os ossos para o infinito.

Despetalei flores sem pétalas,
Sem água, seca e negra
Sufocando a transfusão,
Apodreceu em minhas mão, entreguei-te ao fogo.

Despedindo-me da alma sem cura
O espectro salvador de minhas dores
Transmutou-me em verme
Bactérias extraídas da  pele.

Lepra definindo as partes que restaram
No hospital sadio de almas
Os que bailava em alegria
Mentiam mais do  que minha sanguinárias verdades.

Cada culpa em que me invade
Invaso em pedaços de papel
Noticias de jornais antigas
E eventos virtuais, sociais, anti-sociais.

Na verdade dos que esperam o alimento na boca
Perdem-se os dentes nas gengivas cortadas
O furo que vejo na estória
A verdade que em luta me esconde.

Sobressaindo um desatino
Para a glória, o derrotado banha-se em merda,
Do que eu acredito?
Nem um pingo no i de cada letra perdida nas palavras não ditas.

Do amor que enfia-me na alma como ferro em brasa,
Tatuando em minha vida a ferro quente
Forje escapa, e ri, feliz,
A morte me darás, o presente.

Dizendo em curtas palavras o que repetes,
Alguém que o diz ou me diga,
Extraviando a calma e a verdade,
A mentira que sou é a merda que carrego em minha fralda.

Se diz o que tenho é pureza,
Na Infiel desgraça de minha culpa
Culpa-me pelo "medo" então
Se escapas em branda interna chaga.

Queimo o peito e cravo os dentes,
Escuto com calma o tormento,
Dolente a doença me busca,
E vejo teu sorriso me dizendo toda e qualquer palavra.

Em minutos esquecidos onde desdobra-me
Espera o tempo, premeditando a partida,
A minha?
Em morte enferma, darei a nós!

Se me contento com esta dor?
Em linhas torpes entorpeço toda e qualquer verdade,
Engulo o choro, pendurado ali na lamina de tua foice 
Assim vou, com a pureza que me deu, a morte chegara.


Antes do depois o começo,
Sem um fim...



Declinio

Subindo degrau por degrau em um extinto  declínio,
Obstrui todos os inquilinos de minha desgraça,
Se você esconde os espaços dentro de cada vazio,
Retrospecto de tuas alienações momentâneas.

Cada duvida em leito é uma maternidade retrograda.
Se em cada hospício eu me ver em deletério.
Não diga qualquer palavra que realmente não acredita
Cada verdade é um termo requerido em mentira.

Vista a tua pele de anjo e rasgue minhas asas,
Cada pena é uma pena que queima,
Verniz, cola, ou tinta guache,
Entorpeço cada linha ténue de endorfina.

Cada dor calamitosa esconde um amor morto,
Tratamento infecções mucosas, pele e pelos
Na parte inferior da orelha, furúnculos
Lesões com pus, queimaduras ferimentos cortes.

Adormeça meu cadeado em volta de tua cintura
Sentimento castrado alienando os sentidos,
Cale em volta das correntes quebradas,
O espectro baila em volta do fogo.

Estropiado, andando caindo na sarjeta,
Alimento cada alimento morto
Mastigo as peles podres dos gambas feridos,
Sorrisos? As multidões adoram.

Comemore, seu dia mais feliz
É a infelicidade do outro,
Ficou la pra trás,
Adoecido, ferido, extremamente destruído.

Enquanto sorri andando em passos atrofiados
Nesta triste dança do adeus
Deus, você que se perdeu,
Perdurou.

Calando cada parte de alma morta,
Afogou-se em um balde de merda,
Umbral,  macumba, inferno e céu
Obedeça os conselhos, sele a culpa.

Tenha um termo de vida no concerto da morte,
Estremeça enquanto a vida morre,
Adormeça no frio, queime as feridas.

Sim!!! Não dormiu de novo.


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Demônios de Deus

Ali estou presente, acima e abaixo,
Literalmente coordenando o braile no peito
Seguindo a transfusão desorientada,
Retiro o cateter da alma.

Atravesso a pele do pescoço
Na altura do pênis, ereto e impotente,
Retro cardinal, cardeal ou puta,
Monges falidos ou velhos babões?

Engolindo o cadáver de minha freira prostituta,
Introduzo-me no teu espirito enlameado
Infeccionando o ego marginal, oriental,
Rasgo a ferida diferindo-me da pauta em assembleia.

Ali estamos, em cima do morro
Resgato os projeteis introduzidos em meu corpo
Pelos padres estupradores de almas infiéis,
Tocadores de harpas contemporâneos e veteranos de guerra.

Rabiscando nos hologramas da indiferença
Faço-me igualmente o menos puto dos putos,
Pois sangras em agonia adolescente envaidecida,
Sendo assim canonizando os dinossauros.

Vendendo partes das minhas surpresas para os demônios de deus
Sacrifico então todas as ovelhas ordenadoras de pastores
Seguro-te então, e do vicio abandonado
Abrando a pureza do destino de meu hospício interno.

Inferno! Porque clamas um termo no termino do terço,
Explique a oração na abertura, ali abaixo da pele,
Enrolando os cabelos em volta do intestino
Retiro os rins e reitero a afirmação.

Céus! Que branda chama derrete no peito dos homens?
Que da bondade só viram a morte,
E na maldade fizeram lei eterna, pura, suja e viva,
Entorpecendo a linha ténue da castração humana.

Alieno-me envolto em catedrais de lixo dolente,
Aspirando partes de minha revolução áspera
Entorno o cálice de sangue na boca petrificada
Fazendo das lagrimas dilaceradas a cura para a vitória.

Parte do ego cego infinitamente diluído
Divido, respiro menos que enxergo,
Calo-me mais do falo, cego, castro,
Desapareço, em braile o asco.






quinta-feira, 4 de julho de 2013

Perfume

Nasceu na podridão de um seculo qualquer
Em meio as tripas e cabeças de peixes mortos
Sem poder enxergar, apenas chorou
Mandando a mãe para a forca.

Cheirou me os dedos sujos da podidão do meu sexo
Fétido e acumulando odores calou-se por anos
Respingando um terço de alma
Sentia cada perfume como se fosse único.

Estalou a química e do álcool fez estrada
E da estrada deu-me a morte
Restrito a obsessão que jorrou da mente
Distribuiu-se em cada parte de sonhos que tinha.

Assim vendido, matou sua primeira carrasca
Partiu para beber seu própio insólito veneno
Sobrevivendo do suor que exalava
Abençoado pelo frio, fez-se o perfume da vida.

Em suas narinas torpes criou seu destino
Cambaleando entre a pureza e a maldade
Em inocência pura abrigou teu nome
Entre os óleos e essências desconhecidas.

Assim vendido novamente,
Matou o próprio pai
Vendendo a alma para teu único demônio
Sendo ele, o próprio.

Restaurando a paz no consciente
Na inocência se fazia o crime
Da inconsciência que sangrava
Relatando cada perfume que encontrava.

Da pele se fez o sexo que alimentava
O orgasmo dos odores da carne
Libertando-se da cura doentia
Restaurando a vida em morte.

De cada vitima
A pureza virginal de cada seio
Abençoava o Hímen intacto
Talhando a essência da pele em gotas de morte.

Dando vida ao que calava tua mente
Claro e sombrio era o pensamento
Alimentando o desejo sobrepondo a culpa
Em satisfação obliqua e absolvida.

Mediu as regras medianas da sociedade podre
Que exalava burguesia e submissão
Para o tempo em que não somente
Se fez o ato, cumpriu-se então o destino.

Das almas dignas da pureza castra
Das vidas indignas dos pais das melhores castas
Se fez o melhor dos mais perfeitos odores,
O perfume perfeito.

E do alto da cruz, abriu então o pequeno frasco
Dando a todos o destino do hoje
Humanos canibais, boçais,
Comeram-se uns aos outros.

Numa infinita dança dos egos
Pele carne e ossos
Se fez a lenda
Não a cura.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Lógica Inerte

Em cada rua inerte, um termo abstrato, 
Carrascos do tempo, exijo agora!
Todos em pleno silêncio.

Em cada gota de chuva, cálida e efêmera,
Bebo o silêncio no orgasmo em que me torno,
Transformando assim, palavras graves em gritos agudos,
Atemporais, guturais.

Calmamente amordaço-os, violentando-me
Em um silêncio descomunal, desmedido
Que não se cala nunca em minha mente.

Não fale ou cale,
A alma escuta.


Genitália Moral

A noite é uma mar de devaneios crônicos, pulmões cansados bebem da fumaça que envolve a neblina transfigurando as massas que transitam em volta dos cálices de concreto, aquecem-se com o vazio que preenche a alma atordoada, esperando pela musica, nula, quase que vomitada, abstraindo os ouvidos, surdos... Dizendo palavras que só saem da boca, emprestando enfim a saliva e todos os outros órgãos, para três únicos objetivos, o de falar mas não dizer nada, o de enxergar e não ver nada e o de escutar mas não compreender nada...

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Partes e Meio


A fragilidade dos corpos
Partes inteiras de pedaços que faltam, incompletos
Desconexos
Uma parte e meia de órgãos externos e infinitos pensamentos enfermos 
Linhas cerebrais, tormentos calmamente vão se dividindo
Um trecho do que nos dizem exatamente
Não falam nada
Apedrejando os sentidos que falham, se confundem
Uma pequena dor que não pode suportar
Uma drenagem que apodrece o coração
Uma parte de ossos que se quebram
Um aperto de mão, um olhar, outra parte
Fome, holocausto internamente externo
Cada vez que eu pude me fechar, não foi mais uma vez
Assim sendo, não era
O que eles dizem?
Atravessariam-me sem mais um único espaço?
Sim!
Espaço onde se perde qualquer poder de palavra
Não se fez mais tempestade em mares ocultos
Águas frias, gélidos pensamentos, confusões e internações
Ninguém suportaria uma prisão ao ar livre
Eu pude suportar!
E o vento frio que cortava a pele
A outra parte, que escondi de eu mesmo
E aquele abraço que demorava a chegar?
Cortei seus braços?
Não responda
Aquela mentira recriada, a solidão em movimento
Eu não pude suportar!
Sim!
Eu menti!
Asim como todos vocês.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Dois


Eu ouvia as vozes e sentia como se fossem as últimas palavras não ditas
Eu sonhava em ser aquele que sempre estaria ao teu lado
Eu aguardava a hora mais do que ansioso, eu ainda estava vivo, mas...
Naquela noite abraçado a nós mais do que a mim, chorei mais do que calado
Da única vida que tive, roubei meu único amor verdadeiro
Me perdi, eu perdi.
O mesmo fracassado de sempre
Aquele outro faria tudo errado outra vez
Calou-se em magoa e tristeza eterna
Então chamamos todas as bestas do universo
E batizamos uma a uma com meu nome
Subíamos no alto dos prédios e nos jogamos em uma queda nada livre
Estávamos dispostos e cansados
Mas nem sempre a luta era ganha
Então perdíamos todas as vezes para um único eu
Aquele que sempre esteve ao teu lado
O que vimos por la?
A dor e a glória do pecado?
A chama da dor indiferente?
A Lua que nunca brilhava?
Ou cada estrela olhando e sangrando?
Cada vida abandonada em cada beco
Cada sonho perdido dentro de cada alma avessa
Suprimos nosso ódio e duvidamos de cada palavra não dita
Relaxei a corda, abracei o destino a troco de um corte na face
Tentei correr, morrer, pra quem se despede e o deixa
No fundo sempre é mais fácil
Questão de aceitar?
Eu não me aceito
Recebo você, em goles maiores
E o amor?
E o vinho?
Não estávamos cansados na hora das promessas
Nunca menti sobre o amor
Eu me cumpro.
Me vejo deprimido, sem forças
Para que tudo torne-se dor
Um tempo que peço, mas para eternidade me despeço
Sangro então em segredo
Na vigília noturna encontro minha alma morta
E me despeço dos Deuses
Eles não me amam
E você? Sim eu sei, entendo
Deve ter se esquecido, não ou não?
Ah! Fui eu, um fraco e covarde
Suportarei o peso dos tigres menores
Rindo pra mim
Os olhares menores
O abraço da morte
O peso da dor eterna
Pode ser que passe
Eu tentei, não desisti
Acho injusto
Acho que cansei,
Mas não desisto
Te amo mais do que me amo
A única certeza que eu tenho
Do amor dei, reconheço
Apagamos em covardia
Eu mereço, aceito a dor
O zelo que tens contigo
É  nosso maior inimigo
Aceito a culpa...


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Drama


Seguirei meus passos
Daria a vida para estar aí
Estaremos perto
Próximos à eternidade

Eu sou uma criança, sem sangue
Divertindo -me
Afogado em sua cabeça
Beije-me antes do amanhecer
A noite mata sem perdão

Nossos sonhos estão ficando mais velhos
Nossos pais estão quase mortos
Sem lágrimas distantes do paraíso

Estaremos perto
Próximos à eternidade
Seguindo a velha maneira
Felizes por matar nossos amigos

Beije-me antes do amanhecer
A noite nos matara sem perdão