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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Sensorial

Quando tudo que nos resta é expor nossos segredos
Você nota que o fracasso é como sexo mal feito das almas
Quando foi que paramos de pensar para apenas sangrar?
Tudo que tive voou tão alto naquela espécie de redemoinho virgem.

Nada do que esperamos nos trouxe ao ao universo real,
E vamos então quebrando nossos caminhos
Cantando então o absolvimento de nossos sonhos,
Cansados...

Enquanto observo a pureza ao meu redor
Sinto arrepios pelo corpo,
Te vejo lá longe, torno me a fumaça, e transtorno os pensamentos
Neste funeral.

Nunca desejei que esta brisa me tocasse...
Enquanto um anjo apaga a luz,
O outro me ama em idiomas desconexos,
Eu somente aspiro as chamas.

Disperso me então e alheio a tudo toco me ao nada
Estive prestes a morrer como um idiota
Você nunca me disse que seria tão difícil
Mas eu nunca achei que seria tão fácil.

Ha uma semana atras enquanto me suspirava em minha alma
Teu suor me tomava os lábios absorvendo nossos sentidos
Traduzindo em movimentos aquela pura orgia macabra...
Enquanto eu perdia parte do meu amor perdido.

Encontrando dentro do teu corpo, meu corpo...
E desde quando aprendi a me afogar sem água
Tudo que perdi,
Foi aspirando pó e fumaça.


domingo, 14 de julho de 2013

Sempre as Reticências...

Ludibibriando as nuvens no céu cinza
Vejo a alma azul pular pela minha janela
Defronte a esquina em estupida partida
Desloquei os ossos para o infinito.

Despetalei flores sem pétalas,
Sem água, seca e negra
Sufocando a transfusão,
Apodreceu em minhas mão, entreguei-te ao fogo.

Despedindo-me da alma sem cura
O espectro salvador de minhas dores
Transmutou-me em verme
Bactérias extraídas da  pele.

Lepra definindo as partes que restaram
No hospital sadio de almas
Os que bailava em alegria
Mentiam mais do  que minha sanguinárias verdades.

Cada culpa em que me invade
Invaso em pedaços de papel
Noticias de jornais antigas
E eventos virtuais, sociais, anti-sociais.

Na verdade dos que esperam o alimento na boca
Perdem-se os dentes nas gengivas cortadas
O furo que vejo na estória
A verdade que em luta me esconde.

Sobressaindo um desatino
Para a glória, o derrotado banha-se em merda,
Do que eu acredito?
Nem um pingo no i de cada letra perdida nas palavras não ditas.

Do amor que enfia-me na alma como ferro em brasa,
Tatuando em minha vida a ferro quente
Forje escapa, e ri, feliz,
A morte me darás, o presente.

Dizendo em curtas palavras o que repetes,
Alguém que o diz ou me diga,
Extraviando a calma e a verdade,
A mentira que sou é a merda que carrego em minha fralda.

Se diz o que tenho é pureza,
Na Infiel desgraça de minha culpa
Culpa-me pelo "medo" então
Se escapas em branda interna chaga.

Queimo o peito e cravo os dentes,
Escuto com calma o tormento,
Dolente a doença me busca,
E vejo teu sorriso me dizendo toda e qualquer palavra.

Em minutos esquecidos onde desdobra-me
Espera o tempo, premeditando a partida,
A minha?
Em morte enferma, darei a nós!

Se me contento com esta dor?
Em linhas torpes entorpeço toda e qualquer verdade,
Engulo o choro, pendurado ali na lamina de tua foice 
Assim vou, com a pureza que me deu, a morte chegara.


Antes do depois o começo,
Sem um fim...



A noite

Tentei alinhar a cura no enfermo pensamento descuidado de minha memoria,
Resgatei a linha da morte entornado o litro de sangue dentro do corpo raquítico,
Responsabilizando um trauma ou outro pela vitória passageira.

Fui apenas até qualquer lado do barco remar em vão neste rio sofregado


terça-feira, 11 de junho de 2013

Veronika Decide Foder





Então ante ao comprimido etéreo
Comprimiu-me as artérias
Embolando-me as veias bipolares
Ao redor do meu pescoço retalhado
Preciso, seria o golpe
Maestral ali abaixo a carne que urge.

Ela agora era simplesmente ela,
Somente Veronika
Altiva, os olhos brilhavam, feliz e predestinada
Enfim ela, a protagonista.
Aquele emprego que tanto odiava
E o limite do seu cartão de credito, 
Abaixo de das linhas cerebrais, irreversíveis,
Completamente incompleta, completou-se
Acelerou então o processo.

No olhar imprimia-se o terror
Amortizando o pedido de clemência 
Adormeceu cada palavra que ele não mais podia diferir,
Na garganta inflamada
Onde o zelo e o perdão nunca alcançou, sequer
A ponta das cordas vocais.

Com uma impassividade impar
Impetuosa, com um só golpe de palavra
Veronika então, decide foder.
Fodeu com cada pagina estupida em que a clave
Na sua espinha digna dorsal fazia a curva
Fodeu então com cada paradigma e verso
Em que a prosa havia lhe fodido antes,
Não fodeu com ela, 
Mas sim com seu algoz.

Olhou para o lado, para baixo,
Ele então, amarrado sem corda alguma
Mover-se não conseguia
Colocado ao chão sobre as tuas quatro patas,
Ela pensou...
Quadrupede, cristão dos infernos!
Atordoado, 
Rabiscou nas próprias costas costas,
A frase enviada quase que por telepatia
estraçalhando então os ossos do braço.

(Percorrendo então o quarto, ela se lembrou)

Ah! O cartão,
O cartão de crédito?
Enfiou-lhe então na cova anal em um só golpe
Ele enfim num orgasmo digno das paginas
Amarelo escuro de sua vida
Defecou em tuas mãos, singelas, frias.
Atropelando os dizeres puritanos de auto ajuda
Numa pedaço de linha sóbria de pensamento,
Arrastou-se por um momento...
Sentiu então como sempre fez sentir-se Veronika.

Os comprimidos enfiou-lhe a força pela garganta
Mas não cravou a faca, o dano irreversível 
Agora era, só dele,
Veronika então sente-se feliz,
Com a calma impassível nos olhos,
Faz uma prece.

Querido psiquiatra:

- Alimentando-o de fezes e urina por dias e dias
Tomei em meu corpo a paz dos anjos de Deus,
No inferno onde me casei com tua alma,
Somente me calei por anos e anos, 
Fiz tudo certo, obedeci ao clero
Mas era severamente punida do amanhecer ao anoitecer.
Meu filho tomado pelo ódio e frustração jogou-se aqui desta janela 
Onde encontro-me sentada agora fazendo esta oração,
Plantei o corpo dele ali no jardim de inverno,
Rego-o todas as manhas para que ele brote novamente
Vejo alguns fios de cabelo, acho que esta dando certo,
Peça ao sindico do condomínio para não esquecer de faze-lo.
Percebi que de nada adiantaria continuar sendo extremamente
Maltratada e aprisionada por este homem ou qualquer outro,
O corpo dele esta sobre a mesa da sala de jantar
Decorei com verduras e legumes, a pele esta intacta, 
Pois sou alérgica a carne, somente retirei um ou outro osso
Para fazer um para quedas caso meu voo de errado,
A maça da boca dele esta lavada e desinfectada com cloro e bicarbonato
Do jeito que sempre me ordenava, quando ele acordar, peça desculpas
Pelo pênis que ele tanto amava, precisei retirar, pois não enxerguei beleza alguma
Diante a minha humilde e singela estética decorativa que o presenteei
Em forma de minha eterna gratidão e obediência.
Agora vou indo, meu voo esta marcado, 
O avião que chamei passara em alguns minutos em frente a minha janela,
Fique tranquilo, caso algo der errado, estou levando meu para-quedas de ossos.

Ps: O cartão de credito esta limpo, desinfetei com sangue e saliva, pode usar caso precise comprar agulhas e linha de costura. Ah! O pênis que ele cuidava com tanto zelo esta ao lado do controle remoto da televisão, pode pegar sem nojo, limpei inteiro com a boca dele, assim como ele também sempre me ordenava a fazer com a minha!