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quinta-feira, 4 de julho de 2013

Água

Eu bebo da bebida mais fria
Esfrego o corpo quente nas tuas partes mornas
E o tempo que engulo feito esperma seco
Bloqueia a traqueia.

Retiro pedaços do rins para alimentar meus vermes,
Afogo meu sexo dentro do meu próprio anus
Engulo as vísceras do meu corvo de estimação
Abrandando a dor da ejaculação tardia.

Sugando os seios negros aposto na derrota,
Espectro traidor tardio de minha abolição
Eclodindo as vestes, rasgando a contemplação,
Visto-me de pele e ossos.

Resgatando partes de cada suspiro
Sufoco o grito da alma viciada,
Que espera o amanhecer
Mais que o anoitecer.

Respiro as tripas que então me restam,
E das veias congestionadas
Faço nossa forca, sem força para pular
Jogo-me.

Espero tua queda, o corpo que cai pra cima do abismo
Feito orgasmo que sobe no peito
Goza de mim pra mim
Então fecho, cubro-me de fezes.

Costurando a alma com restos dos pelos
Que restaram de minha dúbia partida
Engulo o sangue quente, espremendo a ferida
Aberta e inflamada.

Esperando a cura da pele,
Distribuo os pedaços de carne
Para os urubus que andam a nossa volta
Somente andam, pois asas não tem para voar.

Ejaculando em vômitos,
Estrangulando em orgasmos,
Abençoei um a um
Quebrei a lamina, apodreci.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Silêncio Pedaços e Outras Partes

Achato meus achados e os perco em resignação,
Estreito o lugar, a cova, rasa, rasga,
A pele intrínseca, castro em falha fuga,
Fulgida, desconheço a aberração alada
Criando no que fui, hoje o que sou.

Se puderes contar cada poro de minha pele
Em minha lapide nada se escreveria, talharia o universo,
Abrupto, absurdo, vigiado por anomalias lúgubres e sarcásticas.

Se tiveres um termo a calar
Recontaria cada gota do suor desperdiçado,
E do sêmen plantado em camadas abissais
Não mais brotariam peixes,
Perderia-se o signo no zodíaco desta esfera,
Na profundidade do gozo tardio.

Porção de minhas calunias, regressão ou transgressão,
Tanto faz...
Da mente falida e póstuma, beberia o sangue?
Ou clamaria a cura?
Sem pensar ou decidir, revoltou-se em paz
Regredindo em paradigmas e conceitos obsoletos,
Expulsando do corpo a alma.

Áspero e agonizante, foi o silêncio,
Em pedaços e outras partes.




segunda-feira, 3 de junho de 2013

Lógica Inerte

Em cada rua inerte, um termo abstrato, 
Carrascos do tempo, exijo agora!
Todos em pleno silêncio.

Em cada gota de chuva, cálida e efêmera,
Bebo o silêncio no orgasmo em que me torno,
Transformando assim, palavras graves em gritos agudos,
Atemporais, guturais.

Calmamente amordaço-os, violentando-me
Em um silêncio descomunal, desmedido
Que não se cala nunca em minha mente.

Não fale ou cale,
A alma escuta.


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Direção


Eu odeio andar na rua tão cedo, de manhã
Eu preciso caminhar por lugares que eu sei que não vou encontrar-me
Eu vou destruir meus caminhos

Há um buraco na minha cabeça
Eu acho que você entrou por ele
Ensine o seu olhar para mudar de direção

Há um buraco na minha cabeça
Você nunca deveria ter saído
Ensine meus cigarros a mudar de direção

Ter alguém não é suficiente
Quando alguém não tem a si mesmo

Ser alguém não é o suficiente
Quando não se tem a si mesmo

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Pele Deserta


Empreste o prazer que eu te devo
Navegando em veias no verão do deserto
Sei que ainda devo prestar contas
Mesmo sabendo que nunca vou paga-las
Apagar - me em memória de outros
Sempre que venderem ilusão aos mesmos.

Afoga - te neste mar vazio
O circulo dos crucificados
Dando voltas em meu pescoço
Amarrando minhas veias em volta do céu
Assim me fiz incompleto
Desenhei teu rosto no grito alheio
Estuprando a culpa que me move para fora deste caminho
Eu me venci perdendo para aquele outro eu
Derrotei todos aqueles dentro de mim
Entre todos aqueles que nunca se foram, não me escolhi.

Mastiguem minha alma envenenada
Para que todos aqueles vomitem minha pele em segredo
Estou a caminho de recompensar - me
Do jeito que eu achar que devo
Não pagarei pela culpa do destino
No descaso da noite em que me bebo
Me alimento do meu próprio corpo
Agonizando dentro do teu.