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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Mordaça de Saliva

Minha pele cheira a café frio,
Posso ouvir a serenata de cada cigarro que se apaga
Chupando meus ossos nas avenidas de outrem
Caço tua pele em minha mordaça de saliva incendiada.

Pedras rolam de um abismo para cima,
Aveludados os corpos se unem em desunião
Criando a cria que beatifica os homens mortos,
Eu como estas pedras com o mesmo gosto em que respiro toda esta lama.

Desprendo–me do buraco em que me encontro,
Despeço me dos meus ancestrais vagabundos,
A primeira lição da maligna nuvem bastarda
Foi a última ulcera alcançada nesta manha.

Sou o espirito das cinzas que minha cisma consumiu,
São as cinzas das cismas abaixo da pele,
Sou a costura mal feita na pele dilacerada,
Sou a perdição apedrejando tuas catedrais.

Minha pele come a tua e envenena nossa pena,
Escrevo com letras de vinho nas uvas que sangram,
Mastigo o sol que nasce apagando para a lua,
Me transformo em tua estrela de barro nas cinzas do descaso.

O abismo me bebe, me come, me alimenta,
Os corpos engrenam em meio as indagações
Falsas, simultaneamente expostas a este diluvio,
Você não pode pensar, não imagine, imagina?


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Seios Virgens

Sincera agonia, aqui nem em morte transvia,
Deus, amordaçame e calate,
Divino anjo de satanás, sugira nos então a paz,
Buscaste tanto no homicídio nosso de cada dia
A límpida clareza da guerra.
Sufoca me mulher insana e maculada
Inflamame a alma afogame em teu seio virginal,
Medo não te atreveras em teu maior plano singular
Delirante, mais uma vez a me afrontar,
Morra, oh deus da desgraça que busca em mim
Um comparsa, deixas te somente em meu leito
Teus gritos insanos que buscam no inferno
A mais sinuosa paz.


sábado, 20 de julho de 2013

Era tudo Inverno

I

Era tudo inverno, inferno e verão,
Luzes incendiarias proclamavam incisões sub-cutâneas
Na engrenagem das maquinas corporais,
O sangue bombeava para fora da pele as uvas mortas.

Nas veias do absurdo metades das potências intumescidas,
Adormecidas em congestões lúgubres, contrariando as luzes dos castiçais,
Ludibriados os presentes assinam as cartas em nomes ausentes, inexistentes,
Comemorando o vazio de cada restoio de tinta que sangra.

Era tudo inferno, inverno, quimera,
Nas dobradiças o ranger do tempo rugia
Como infecção na próstata esfaimada
Em aniversário de morte adiada.

Afiadas as aves desafinavam as garras
Atrofiadas, e cravavam na pele o osso do escarnio,
Carnificina emoldurada em ilustrações abissais contaminadas,
Eletro pulsações insensatas, espirais, moinhos de vento, deserto.

Não, não era inverno, inferno, 
Bastardos, estrangulados no alto do penhasco
Jogam cartas com os reis, sem chifres ou chaves,
Buscam na masmorra a perpetuação em perpetua inexistência.

Tardio o golpe alto, nas mãos da grande cúpula
Sofregaram em ardilosas punições e insinuações
Apoderando-se do meu eu magnético sofredor,
Entojado dentro do bolso o enigma das avarias.

II

Era tudo maligno e de certa forma benevolente,
Envolvente poça de estrume registrada em depoimentos histéricos,
Hemisfério do expoente azul, atrocidades epíricas eletrocutáveis,
Inaudível como o canto do pássaro morto em meu estomago.

Não, não fui evadido, nem alimentado,
Através das correntes sub-jugadas da amnésia atemporal
Escreveria a pele demoradamente nas gotas do orvalho queimado,
Evaporando-se pouco a pouco acada manha em que o espirito nasce mais morto.

Engrenagem descontinuada e ferida alastrou-se através dos vinhedos
Barris de culpa gotejavam almas de escravos, farrapos, pele e ossos,
Sangue dos espíritos que bailavam abaixo a linha da cintura
Demonificavam os deuses em angelicais passagens sagradas.

Testamentos não assinados, apodreciam nas mãos e braços arrancados
Pelo alto escalão das agonias inconscientes, ascendentes de signos experimentais
Argumentavam em silêncio sobre cada espaço esquecido, 
Dentro de cada significado não encontrado, uma resposta em pergunta a outra.

Alojado dentro do meu vicio esfomeado
Descontrolo em hipnoses o canto adormecido das vísceras
Arrastadas pelas ruas, cobrindo a neblina sobrevoo a sombra do unicórnio retardado
De asas cansadas e secas pela chuva que curvando-se a veracidade da morte.

Espantosa fez-se a lua, que de luar em luar, escondia-nos dos monges
Acorrentados, nas florestas onde cada silêncio cumpria-se em leitos,
Auto-medicados os hospedes malfeitos, terminavam entre a guilhotina e a forca,
Bruxas apoderavam-se das almas rarefeitas que restavam na superfície celeste.

III

Pecaminosos os cadeados abertos chaveavam as portas,
Estropiados os guerreiros mumificavam suas esposas malditas
Restaurando cada enredo perdido das mortíferas peças de amor e ódio
Pedidos eletrocutavam as mentes dos que sem dar, não podiam toma-lo.

Envolto a correntes florificadas respirei enfim o sangue daqueles animais,
Todos em torno da passividade momentânea duelavam em estações desconexas,
Congestionadas, amenizando cada epístola sagrado na carne que desperta
Podre, abstraindo cada enigma distópico nos sonhos que lhe deram.

Inferno, não era inverno!



domingo, 14 de julho de 2013

Religiosos Underground (Moralidade e Nobreza)

Redobre o dobro e divida,
Adição de morte em vida,
Desdobramento de dobras invisíveis
Mais do que o menos, atrocidade alérgica.

Desdobre a mente e os cabelos,
Enrole envolto a voltas,
Gire dobre e desdobre
Envolto a volta curva.

Curve-se a noite
Abstraindo o dia,
Aplique o sulfato doentio
Na pele do destino.

Desatino eclodindo,
Desalinho em roupas jogadas
Sem um vento destruía a chuva
Mais do que mais, menos é visível.

Destrua, construa, esqueça,
Lembre a noite em musica,
Musica morre em silencio
Poemas que mentem em decibéis surdos.

Ensurdeça a linha a culpa,
Entorpeça a calma em doença.
Infeccione a verdade em mentira
Cale a linha em forca.

Força, fraqueza em natureza,
Natureza cinza e negra
O verde morre em vida,
Drogue-se em morte viva.

Ferimentos aristocratas,
Religiosos do underground
Múmias podres cansadas,
Leito em palcos plácidos caídos.

Moralistas, moral ou mentiras,
Verdades?
Moralismo repentino?
Diferença.

Dias e dias, tudo é nada
Quando se mente em piada,
O idiota não esquece
Forçado a força, instalação de forca.

Repetições do passado
Alienações do futuro
A morte morre e vive,
Deus e demônio.

A moral é relativa,
A verdade é negativa
A dias, fazem dias ou anos?
Esquece?
Fácil, sempre mas nunca é.

Não dizem por não dizer,
Felizes abençoaram a castração
O menino caído morreu ai dentro,
Você que esquece rápido.

Enquanto a lembrança permanece
Vive anda, enquanto minhas pernas quebram
E amarro os braços,
Corto os dedos.

Toco fogo em meu corpo.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Genitália Moral

A noite é uma mar de devaneios crônicos, pulmões cansados bebem da fumaça que envolve a neblina transfigurando as massas que transitam em volta dos cálices de concreto, aquecem-se com o vazio que preenche a alma atordoada, esperando pela musica, nula, quase que vomitada, abstraindo os ouvidos, surdos... Dizendo palavras que só saem da boca, emprestando enfim a saliva e todos os outros órgãos, para três únicos objetivos, o de falar mas não dizer nada, o de enxergar e não ver nada e o de escutar mas não compreender nada...

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Oração


Para os que vivem sem vida
Para os que vivem em morte
E não tem medo
E procuram pelas ruas as dores imaculadas
Para todos que matam e não desejam morrer
Eu desejo a morte
Não desejo a vida
Nem sequer
Um pedaço de cura
Tomarei seu corpo
Tomarei o que nunca foi tomado
Então espero que sua alma também morra
Deus abençoe teu ódio
Que a vida te busque e não te engane
Para um único dia de vida
Um gole de morte
Você esta cansado?
Segure o pendulo
Para todos que acham que a vida é sangue e dor
Então, é mesmo...
Para todos que se perdem e se encontram
Acham o que procuram, vida é morte
É sangue e dor
Para todos que se enganam e enganam
Eu desejo o que você deseja
Eu espero que se enganem
Se troquem, se matem, se amem
Para o vinho da morte
Nas florestas da cura
Seu sangue, o mesmo
Tua água impura
Iremos até as catedrais?
Chorar pelos nossos antepassados
A vida que você perdeu
O plano que você armou
Ninguém é alguém
Alguém é ninguém
Se você espera algo
Se não sabe o que é
Tome meu corpo
Coma minha doença
Leve de mim
Leve-nos de nós
Antes que seja cedo
Antes que seja cedo demais.