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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Sobrenome

Pólvora e poder, molhados em água seca e fria.
Algas marinhas,
Unicórnios amestrados,
Postos, repostos, entrepostos,
Vigílias, apague as velas da tua alma.
Tua cabeça foi arrancada, apagada...
Então acenda a ira em volta do teu corpo mutilado
Ressurreição,
Sete dias?
Quebre a coroa, antes que sua cabeça caia.
Os cavaleiros irão chuta-la com espadas cegas,
Marcarão teu corpo com os sinais do tempo
Em que não teve tempo para fugir.


Sou o garoto que morreu sentado em frente a tua cela, cabelos enveredados na videira da morte, completando os quebras cabeças com peças de porcelana quebradas, apóstrofe incendiando os espectros iluminados, apagando cada cereja podre em cima deste pedaço de bolo enlameado, auto inflama, retrospectos inaudíveis lançando chamas, cavalos cegos, soldados machucados nas florestas do destino, soldam os corpos com pedaços de vidro.

domingo, 14 de julho de 2013

Declinio

Subindo degrau por degrau em um extinto  declínio,
Obstrui todos os inquilinos de minha desgraça,
Se você esconde os espaços dentro de cada vazio,
Retrospecto de tuas alienações momentâneas.

Cada duvida em leito é uma maternidade retrograda.
Se em cada hospício eu me ver em deletério.
Não diga qualquer palavra que realmente não acredita
Cada verdade é um termo requerido em mentira.

Vista a tua pele de anjo e rasgue minhas asas,
Cada pena é uma pena que queima,
Verniz, cola, ou tinta guache,
Entorpeço cada linha ténue de endorfina.

Cada dor calamitosa esconde um amor morto,
Tratamento infecções mucosas, pele e pelos
Na parte inferior da orelha, furúnculos
Lesões com pus, queimaduras ferimentos cortes.

Adormeça meu cadeado em volta de tua cintura
Sentimento castrado alienando os sentidos,
Cale em volta das correntes quebradas,
O espectro baila em volta do fogo.

Estropiado, andando caindo na sarjeta,
Alimento cada alimento morto
Mastigo as peles podres dos gambas feridos,
Sorrisos? As multidões adoram.

Comemore, seu dia mais feliz
É a infelicidade do outro,
Ficou la pra trás,
Adoecido, ferido, extremamente destruído.

Enquanto sorri andando em passos atrofiados
Nesta triste dança do adeus
Deus, você que se perdeu,
Perdurou.

Calando cada parte de alma morta,
Afogou-se em um balde de merda,
Umbral,  macumba, inferno e céu
Obedeça os conselhos, sele a culpa.

Tenha um termo de vida no concerto da morte,
Estremeça enquanto a vida morre,
Adormeça no frio, queime as feridas.

Sim!!! Não dormiu de novo.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Lógica Inerte

Em cada rua inerte, um termo abstrato, 
Carrascos do tempo, exijo agora!
Todos em pleno silêncio.

Em cada gota de chuva, cálida e efêmera,
Bebo o silêncio no orgasmo em que me torno,
Transformando assim, palavras graves em gritos agudos,
Atemporais, guturais.

Calmamente amordaço-os, violentando-me
Em um silêncio descomunal, desmedido
Que não se cala nunca em minha mente.

Não fale ou cale,
A alma escuta.


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Inicio

Relatando o desconcerto
Minha pena breve e curta
Se acabou
Alimento o alimento
Morto, podre, abatido
Você voltaria atrás?
Mas teus abraços procuraram o limite do desfeito
Desfaça,
Corte a faca
Canse o espelho
Abençoe as feridas
Deite-se, o orvalho queima
Entretanto
Olhando o fim da tua ilustre farsa
Espera de longe minha carne entorpecer
Febre longa e duradoura
Abraço, curto, estrangeiro
Anos a fio perdendo-me em palavras
Registrando em meu leito o nada
O fim, o foi, o era, o seria
Sim ou não?
Acho que não, não sei

Talvez.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Final Sem Fim



Sou aquele que você esconde embaixo do seu travesseiro de pregos
Entre a cama e o colchão a dúvida e um pesadelo, desatinos,
Entre os cabelos a perca da memória, drogada, dopada,
Entre a faca a carne, teu desejo realizado,
Dentro do sangue um rio fétido, coagulado.

Para não ser mais o que basta do que não acabou
Agradeço a culpa imposta,
Faço-me meu melhor inimigo
Eu era aquele, sou todos aqueles que ela quiser,
Enfim não fui mais.

Me pendure pra secar enquanto adormeço, na mira do teu sol
Que não se apaga, só se esconde e se esconde,
Sendo assim fecho a porta, apago a luz e me despeço.

Ele responde: - Ela conseguiu?
Perdendo-me dentro de todos aqueles outros de mim,
Com uma voz embargada e rouca inclino meu corpo e me amarro,
Para não mais ser, nem dizer qualquer espasmo sobre o sentir,
Acho que realmente não precisava, mas naquele tiro certeiro derrubou a fio,
Sem declamar nenhuma parte de tua doença nos olhos, rastejei,
Como uma cobra acuada quase em decomposição, alimentei-me
Da minha própria especie.

Ele responde: - Novamente?
Encontrando-a fora de todas aquelas outras de mim,
Com uma voz, suave e taciturna, condenou a todos dentro de mim,
Minha face meio escondida após o julgamento
Não escondia nada, a imagem refletida no espelho nem minha era,
Enfim, quase o fim.

Eu esperei e nada, eu não podia rir, chorar ou me calar,
Não havia resposta e eu era a piada naquele único botão que não funcionava.
Converse sem falar, desligue-se, diga que esqueceu,
Não funciona, nada mais aconteceria.

Desligada permito-me a ti respirar, estive em suas mãos dentro do que quis sempre,
Ninguém podia mais, eu era a troca e eles todos os cegos,
Eles tem, hoje não!
Fui até la eu vi e só podia não poder,
Observei em meio a minha falta de caráter,
Que tudo ali eu havia escondido,
Como um tigre acuado, mastiguei minha cobra,
Fiquei ali, depois fugi atordoado, em um suave desespero,
Assim foi, quem sabe? Sei...
Agora sei!
Então, eles respondem: - Enfim fim.