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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Dogma


Eu já te vi naquela lama
Antes do bem, eu não pude enxergar
Já me roubaram todo o tempo
Crucificando-me em pensamento
Sacerdotes falsos indignados roubam suas proles
Castrando a alma da musica que apodera-se na cama
Sangue, chão e vida e morte
Ninguém rouba das ruas o que é da lua
Abençoados sejam os homens e os lobos
Que não perguntam, só respondem
Como é a estrada?
O quanto pode custar uma lei?
Como é assistir a um encontro dos condenados?
Os maníacos estão em paz lutando contra a divindade humana
Perdemos a nossa visão final
Nos de a alma dos pássaros de asas quebradas
Prenda-nos a um chão de seda vinho
Vermelho sangue, capas pretas e um rio negro
A noite se perdendo dentro das manhas
Uma a uma, duas ou três
Sangue, velas e preces
Mas nada de tão precioso para perder
Orações de pedra partindo as vidraças das igrejas
Até vender teus ossos para padres e palhaços
De a a eles um corpo
Uma chama
Uma noite
Uma cama
Catástrofe envenenando o réu
Aplausos para o juiz condenado
Acariciando um Deus de barro morto e alienado
Que sangra água e chora sangue
Seguiremos os lobos nas estradas que percorremos seculos atrás
E daqui mil anos ainda estaremos onde a vida morreu
Onde o mar encontrou o céu, onde um espasmo vale tanto quanto ouro
Suspiro, o último.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sempre


Então eu me vejo sangrar
E respeito esta condição
Não deveria, mas como explicar?
Dizendo coisas tão obvias
Isto é quase um desabafo
Poesias? Não te traduzem...
Não me aquecem, não resolvem
Eu só poderia sentir o obvio mesmo
Mas nem somos tanto para podermos ter
O que nós matamos no final? Nada...
Eu não deveria, eu posso?
Te amaria mesmo não te amando
Amaria mesmo esquecendo, morrendo ou vivendo
Falar de dor, amor ou escuridão, sangue ou noite
Neste momento já não faz sentido
Era fácil, agora já não mais, falar?
Agora só basta ser claro, realizar meu ultimo desejo, os últimos..
Não é tão difícíl, podemos ser mais do que somos para não ser
Poderia estar na sua cama, dando tudo a ela
Poderíamos dizer tudo um ao outro
Nunca diremos tudo, ou faríamos tudo, ou seriamos tudo
Só sei do que sabemos e no final, não sabemos nada, sei..
Então do que precisamos?
Ainda temos, e é algo que não podemos doar, vender, apagar...
Apagar? O que esta cravado como estaca no peito do vampiro
De tão claro me ceguei
De tão escuro que estive nem forcei pra ver
Sempre o amor, um pouco de dor, um gole um pedaço
Vou me recriar pra te tomar, te roubar, me esquecer
Te amar enfim pra não mais ser assim

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Final Sem Fim



Sou aquele que você esconde embaixo do seu travesseiro de pregos
Entre a cama e o colchão a dúvida e um pesadelo, desatinos,
Entre os cabelos a perca da memória, drogada, dopada,
Entre a faca a carne, teu desejo realizado,
Dentro do sangue um rio fétido, coagulado.

Para não ser mais o que basta do que não acabou
Agradeço a culpa imposta,
Faço-me meu melhor inimigo
Eu era aquele, sou todos aqueles que ela quiser,
Enfim não fui mais.

Me pendure pra secar enquanto adormeço, na mira do teu sol
Que não se apaga, só se esconde e se esconde,
Sendo assim fecho a porta, apago a luz e me despeço.

Ele responde: - Ela conseguiu?
Perdendo-me dentro de todos aqueles outros de mim,
Com uma voz embargada e rouca inclino meu corpo e me amarro,
Para não mais ser, nem dizer qualquer espasmo sobre o sentir,
Acho que realmente não precisava, mas naquele tiro certeiro derrubou a fio,
Sem declamar nenhuma parte de tua doença nos olhos, rastejei,
Como uma cobra acuada quase em decomposição, alimentei-me
Da minha própria especie.

Ele responde: - Novamente?
Encontrando-a fora de todas aquelas outras de mim,
Com uma voz, suave e taciturna, condenou a todos dentro de mim,
Minha face meio escondida após o julgamento
Não escondia nada, a imagem refletida no espelho nem minha era,
Enfim, quase o fim.

Eu esperei e nada, eu não podia rir, chorar ou me calar,
Não havia resposta e eu era a piada naquele único botão que não funcionava.
Converse sem falar, desligue-se, diga que esqueceu,
Não funciona, nada mais aconteceria.

Desligada permito-me a ti respirar, estive em suas mãos dentro do que quis sempre,
Ninguém podia mais, eu era a troca e eles todos os cegos,
Eles tem, hoje não!
Fui até la eu vi e só podia não poder,
Observei em meio a minha falta de caráter,
Que tudo ali eu havia escondido,
Como um tigre acuado, mastiguei minha cobra,
Fiquei ali, depois fugi atordoado, em um suave desespero,
Assim foi, quem sabe? Sei...
Agora sei!
Então, eles respondem: - Enfim fim.


Cinzas


Serei o que deseja pra me ela poder me  pendurar no alto daquela forca, sim simplesmente não é nada daquilo do que disse e mesmo assim já não sei mais como tentar não entender.
O que ele queria era somente fazer parte dele, ou daquele, mas o tempo foi nos abandonando e te trazendo de volta para aquele outro não tão simples universo carregado de um sentimento que se esconde atrás de cada outro espaço vazio que a gente completa atravessando a pele, cultivando o veneno em cada gota de sangue que corre nas veias alheias, eu disse que não era nada, dissemos ser tudo e então caminhamos, não era de manha, nem tarde muito menos noite ou madrugada, então escolhi a cor do dia, das nuvens e do céu, nada desabou sobre você, uma pena que tive de mim mesmo por não poder mais me suportar, nem ouvir mais aquela indiferença, que me colocava no alto de cada penhasco que nunca consegui alcançar, desentendido e entediado.
Abri a garrafa, dei dois goles o gosto não era o mesmo, a bebida já nem sabia mais qual era, acendi um, dois, vinte cigarros, as cinzas pelo chão pareciam partes de um corpo desconexo conectado ao meu, eu tomava aquelas cinzas como parte do que não aconteceu, eram minhas cinzas, só minhas e de mais ninguém, minha única companhia, alem do copo e o cinzeiro vazio...

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Sem Sangue



Cansei deste inferno quero ver pra onde vai o sangue
Abraçar a cura dos mortos sem alma
Que nunca encontram paz na morte em que vivem
Durma em meus braços, toque minha podridão
Abençoe o corpo leproso, lambendo ferida por ferida
Rasgue o bom senso degolado em cada palavra seca de esperança


Cansei deste inferno quero ver até onde vai o céu
Escurecer o leito em que durmo acordando pra não mais voltar
A Lobotomia diária me faz companhia
No avesso da felicidade penduro minha carne pra secar
Canonizando os ventos que desenham fraturas expostas em meus corpos
Amordaço cada um deles, na minha vitrine de vidas desperdiçadas
Tranco, esqueço a chave, deixo sem sangue, sem ração
Destinos traçados pela vingança de um deus doente
Brigam entre eles dentro de mim

Te trouxe uma doença
Ela não tem cura
Então eu dou o que tive de pior
Eles me pagam em palavras 
Escrevem em minha mente com ferro em brasa
Era uma solução sem solução

Cansei deste caminho quero ver por onde a vida morre
Como apaga - la em um destino
Acendo um cigarro no outro
Vejo as nuvens escuras la fora
Não existe mais o que procurar
Eles me pegaram, arrancaram meus olhos
Cortaram meus braços e quebraram tuas pernas
O fogo não queimava o corpo
Fui atirado para longe
Para o único destino encontrado
Enfim, ele já não existe mais





Aquele Lugar


Esta tudo tão silencioso aqui dentro
E ao mesmo tempo os gritos ecoam
Mas o nunca é a única  parte que enfim não é
Mesmo sendo assim eu realmente quero somente o para sempre
Por aqui nada mudou, mas ainda me pergunto
Mas a única resposta é duvida agora

Esta tudo tão escuro
É dia a chuva la fora me secando por dentro
Aquela voz que fica muda, e muda
Já nem vivo mais, se me perdi
Um dia sim, talvez?
O porque de não tentar mais
Ou somente tentar, aqueles senhores não entendem
Não estão certos, nem errados..
Eu não estive la, não estou
Ela é a única, mas o tempo esta nos abandonando
E chovendo dentro do sol, apagando - me teus olhos

Esta tudo tão cheio de vazio, e a única luz que vejo esta e se apagar
Foram todos os puros devaneios que me fizeram longe
Se eu pedisse ajuda?
Deveríamos perdoar?
O que faremos?
Pergunto a mim a resposta que você não tem
E já não tenho mais a escolha, nem entendo
O que esta claro nesta ultima passagem

O que vale mais a dor ou a divida?
A duvida ou a escolha?
Se pra ter paz é preciso perder, eu perco
Das respostas que nunca tive
Sempre soube as perguntas
Das perguntas que não me fez
Sempre soube as respostas
E pra todas que foram feitas
Nunca soubemos responder

Nem sempre o errado erra em acertar
E o errado faz parte da nossa única solução
Entrando através das noites, perco tudo mais facíl 
A única culpa que sinto é por não poder culpar
Nenhum sentido ou sentimento
Nenhuma duvida ou pergunta
Nenhuma dor ou ódio
Nenhuma escolha ou decisão
Nenhuma vida ou morte
Nenhum amor ou culpa.


Drama


Seguirei meus passos
Daria a vida para estar aí
Estaremos perto
Próximos à eternidade

Eu sou uma criança, sem sangue
Divertindo -me
Afogado em sua cabeça
Beije-me antes do amanhecer
A noite mata sem perdão

Nossos sonhos estão ficando mais velhos
Nossos pais estão quase mortos
Sem lágrimas distantes do paraíso

Estaremos perto
Próximos à eternidade
Seguindo a velha maneira
Felizes por matar nossos amigos

Beije-me antes do amanhecer
A noite nos matara sem perdão