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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Sensorial

Quando tudo que nos resta é expor nossos segredos
Você nota que o fracasso é como sexo mal feito das almas
Quando foi que paramos de pensar para apenas sangrar?
Tudo que tive voou tão alto naquela espécie de redemoinho virgem.

Nada do que esperamos nos trouxe ao ao universo real,
E vamos então quebrando nossos caminhos
Cantando então o absolvimento de nossos sonhos,
Cansados...

Enquanto observo a pureza ao meu redor
Sinto arrepios pelo corpo,
Te vejo lá longe, torno me a fumaça, e transtorno os pensamentos
Neste funeral.

Nunca desejei que esta brisa me tocasse...
Enquanto um anjo apaga a luz,
O outro me ama em idiomas desconexos,
Eu somente aspiro as chamas.

Disperso me então e alheio a tudo toco me ao nada
Estive prestes a morrer como um idiota
Você nunca me disse que seria tão difícil
Mas eu nunca achei que seria tão fácil.

Ha uma semana atras enquanto me suspirava em minha alma
Teu suor me tomava os lábios absorvendo nossos sentidos
Traduzindo em movimentos aquela pura orgia macabra...
Enquanto eu perdia parte do meu amor perdido.

Encontrando dentro do teu corpo, meu corpo...
E desde quando aprendi a me afogar sem água
Tudo que perdi,
Foi aspirando pó e fumaça.


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Acendo em Nós

A insegurança me atinge em níveis catatônicos,
Quando atravesso a rua, vejo aquele óvni me atropelar
Faremos então em minha mente uma icognita
Desenhando o destino na fumaça desta água.

Acendo em nós uma chama apagada,
Não vejo cores quando sonho
Conto cada minuto em um conta gotas quebrado
Desespero te em teu despertar.

Da arma enferrujada apontada para as falhas,
Tenho em nós a esperança,
Em minha espaçosa desvalia
Armada e amordaçada.

Vivo o hoje para que o amanha não destoe...
E no desabrochar de todos os minutos
Minha mente não esquece os frutos,
Que não colhi mas foram a mim dados.



segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Crânios no Ânus

Desligome dos pesadelos futuros e alcanço a febre diária 
No espaço entre o sol e o lixo que mastigo, 
Apodreço em tua linha de pensamento, você não pode se esconder.
Corra virão te buscar, para o enforcamento sagrado terrestre, 
Pestes humanas te levam através dos vales de concreto.
Suspiros roubados desfalecem dentro do teu espectro de carne vazia,
Transponhame se o que pode perder é justo, não?
Eu não posso!
Já vendi todas as minhas duvidas,
Foi inesperado, entre cada tempo e o contra tempo, 
Fui sumariamente condenado.
Fui até o topo bem la abaixo, e eu também não pude me esconder.
Era o beijo da bruxa na floresta, 
Foi o que eu pude esperar...
E as palavras vieram para me calar a boca, 
E a musica cegou meus ouvidos.
Os soldados menores sangravam na estrada,
E ruido que eu vi era a água que escorria dos olhos deles,
Meu amor também partiu, se enforcou no sexto tempo desta guerra,
Ela pendurou sua cabeça 
Com meu intestino vazio, degolando meu estomago cheio de flores,
Vomitando sobre o palco eu fui nu pelas estradas, eu gritava mas ninguém ouvia
E confronto se iniciou.

O que você disse a ele?

Todos aqueles não puderam encontrar uma palavra dentro do livro dela,
Substituíram o sangue por um pouco de terra e dinheiro,
Mas a luxuria não mais podia compra–lo,
Sorrateiros os ratos invadiram os castelos em ruínas em que eu morri,
Eu vi todos morrerem de uma só vez,
O ópio não fazia mais efeito,
E o sentido roubado era dado ao presente anacrônico.

Reis se auto estupravam, Se auto intitulando rainhas Eles se chupavam e se mordiam, Enfiavam crânios nos ânus uns dos outros, Masturbavam suas mandíbulas com os pênis em brasa, O fogo das vaginas massacravam as línguas das freiras prostitutas, Padres incestuosos oravam com gotas de esperma nos lábios, Eu vi então, todo aquele sangue se perder E roubar de mim minha crença.


Estivemos vendendo a fé para vadios satânicos em nome de um deus de mentira,

Nada era esculpido de forma em que não se podia vender ou roubar,
Não nos viam presos nem livres
Era a suprema corte da podridão dando as regras novamente.

As famílias se matavam em rituais orgânicos de salvação,

As mães matavam os filhos,
Os filhos estupravam as mães,
Despudorados os pais ejaculavam em suas próprias bocas,
Amarravam as filhas nuas ao pé da cama com chicotes de gesso
E as pulseiras de arame farpado cortavam a moralidade das casas tradicionais,
Todos amarravamse a uma teia de vidro em mucosas virtuosas.
E a mãe disse ao filho então!
Minha vagina podre é tua,
E o Pai então respondeu meu esperma agora alimentara esta família, 
E todos então, se foram de uma vez para a sala dos genocídios grupais.

Os governos enfim não governavam mais e as nações se apagaram então de vez,

Gerados os frutos do desconforto e do desespero,
Caiam das arvores como frutas podres,
Os animais foram alimentados de carne humana
Todos então foram ao nada, cheios de tudo, 
Em uma nuvem suave e carregada de canibalismo e esperança...

Desespero ou não a morte por ideais é sempre um vão eterno,

Aberto no seio virginal da humanidade desumana.



Mordaça de Saliva

Minha pele cheira a café frio,
Posso ouvir a serenata de cada cigarro que se apaga
Chupando meus ossos nas avenidas de outrem
Caço tua pele em minha mordaça de saliva incendiada.

Pedras rolam de um abismo para cima,
Aveludados os corpos se unem em desunião
Criando a cria que beatifica os homens mortos,
Eu como estas pedras com o mesmo gosto em que respiro toda esta lama.

Desprendo–me do buraco em que me encontro,
Despeço me dos meus ancestrais vagabundos,
A primeira lição da maligna nuvem bastarda
Foi a última ulcera alcançada nesta manha.

Sou o espirito das cinzas que minha cisma consumiu,
São as cinzas das cismas abaixo da pele,
Sou a costura mal feita na pele dilacerada,
Sou a perdição apedrejando tuas catedrais.

Minha pele come a tua e envenena nossa pena,
Escrevo com letras de vinho nas uvas que sangram,
Mastigo o sol que nasce apagando para a lua,
Me transformo em tua estrela de barro nas cinzas do descaso.

O abismo me bebe, me come, me alimenta,
Os corpos engrenam em meio as indagações
Falsas, simultaneamente expostas a este diluvio,
Você não pode pensar, não imagine, imagina?


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Solução = vazio.



Indignos sentidos presos em asas livres Flores e espinhos obviam o contexto masturbado O sentimento reverso subdividido e forjado, atrofiado. Ignorar o sentido quando lhe convém, Atracando me as almas do além, Valer ou não valer o tempo perdido, ganhado? Esquivam-se sobre minha alma, alguns estranhos fatídicos. Espadas da coragem escondidas à espreita Atras da porta aberta, tranco-me em indecência, Sumiço momentâneo na procura doentia, a falta. Amores jogados fora, para dentro da vulva, rebeldia interna, Externa em brutos sentidos, inalterados goles de histeria. Crise existencial, inexistência de perda. Tristeza. Sentir as dores físicas entre chicotadas de drogas e remédios. Mau mesmo é sentir na alma, negando o dote dado no carro em movimento, Esquivando-me da tua lamina muscular que o cérebro não comanda, mas deveria, Em busca do meu sexo, tuas teorias não preencherão minha vagina vazia. A alma sente dor, não se compra, não tem preço, sim valor, Um buraco no escuro, o vazio. A alma sente dor.
Acreditar em partes é não saber mais nada. A alma é simples. Assim como uma equação com raízes negativas, Sem solução. Solução = vazio. Não há resolução. Não há remédios, Pra alma em colapso. A matéria em dor? Inevitável. Apalpo em mim então o universo em minhas carnes, Negando em mim o papo da mesa ao lado, O inverso sempre é acompanhante de insanidade e desrespeito. Segure o cetro de tua glória mumificada, respire, vire-se introduza, No lado de dentro bem la no fundo onde desejas colocar, Sem saliva a seco, precisa de ajuda? Eu introduzo em ti, um pedaço, o teu inteiro! Não doeria em mim, se fosse em ti, Nem um terço das palavras entre um gole e outro, Entre um passo e outro.
Um machucado uma ferida, que eu já havia cicatrizado Abriu-se notavelmente, a alma, o buraco, o vazio... o abismo Ambiguidade infernal essa que me traz e eu faço, Das traças amigas fiéis companheiras de minha viagem, Falhas nas demonstrações de afeto, vícios literários Orgulho feminino intacto, o que de mal? Projeteis de corpos jogados contra a parede. Alinhando o meu de maneira desconexa, Fazendo-me o corpo em decomposição Decomposto viral de sobras inquilinas de tuas vaidades, Verdades? Não, eu não preciso, Gozo imposto por manipular a manipulação, Marionete do tempo e da personalidade. Bipolaridade ? O meu amor não merece teu endereço, Como o teu pau, e não mereces minha vagina. Sobressaindo dos teus delírios que me acompanham no ônibus lotado, Ou envolta a neblina do caminho de volta pra casa na madrugada, Não serei tua oferenda, não se ofenda, eu me defendo, Das palavras mordazes ditas ao pé do ouvido, Balbuciando o que achas ser correto, o que achas de todas "eus" Espero que morras entalado com tua língua em minha garganta, Ricocheteando os olhares depravados, não entrego os meus Que também são dignos de culpa, avarias, escarros e escárnios.
Puritana? Quem? Eu? Não faça-me vomitar em tuas moléstias, No oblíquo caminho de volta prefiro ficar sozinha Em meio ao meus goles de cansaço, Em minha dança você não cabe.

Homenagem a minha poetisa preferida, agradeço por ter ajudado a nós.


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Suave


Respiro as lagrimas com o terço quebrado em mãos,
Não, não meu amigo, isto não é uma oração.
Elevo muito cada minuto de perdição,
Não, e sim ao mesmo tempo em que não.

La por onde aqueles versos foram enterrados
Eu via que tudo era incerto, comovente, não?
Tente olhar em minha face, enquanto durmo,
Se eu acordar é porque estou morto.

Tão suave e tão tendencioso é o que tu emana,
Por isto e somente, eu desejei hoje dormir por séculos.
Inatingível este desejo tão desnecessário,
Da face leiga de meu eu ordinário.

Reacendo o fogo que clareava em escuridão,
Inaceitável seria o que o presente me daria,
Testaram em meu corpo todas as anomalias,
Na face leiga de meu eu ordinário.



terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ninguém

Justo seria então o tapinha nas costas,
Injusto o véu que tua pele não toca,
Sustentando a especie intocada
Toco-me, impuro e curado, calado.

Absolvido pela luz que não toca a pele
Escureço em níveis desmedidos,
Segure a conotação na duvida em que te toca então,
Astronômicos serão os erros.

Nunca cometeras sequer um desatino,
Nunca estarás em completo desalinho,
Destino desmistificado, impuro e tardio,
Árduo padre que goza nas escrituras sagradas.

Fodendo então minha virgem desfalecida,
Obedeço a pureza de cada gesto acumulado
Na infinidade dos meus retrocessos que coagulam,
Enfermo e desalojado na impureza de cada parte podre.

Nunca seras o mais do mesmo,
Nem ao menos o que desejaria que este fosse,
Pois sou parte daqueles que não ferem ao serem feridos,
Muito menos daqueles que escrevem reto por linhas tortas.


Preposições de um Cadáver



I

Sim, este mesmo!
Eu que fui alma impura,
Repugnante e incessante,
Eu que fui linha e carretel,
Eu que fui arma e bordel.

Eu que me senti como uma bruxa
Prestes a ser queimada,
Relógio nas sombra do tempo,
Desloquei simples mente as partes.

Eu que me matei diversas vezes,
O devasso inconsequente,
Conotações divididas em destroços carnais,
Almas só existem quando podem.

O poderio bélico das transformadões em segundos
Distribuindo tapas e socos na própria face desalinhada
Maquiando as olheiras das infinitas noites de insonia,
Entupindo as veias nas melhores das piores intenções.

Segurei tua arma, apontei para minha própria cabeça,
Engatilhei, (...)
Atirei!
Nenhum projetil me acertou.

Banhando então o corpo em formol
Embalsamo as tripas celestiais enfermas
Rasgando cada simbolo doentio que minha alma construí
Transfiguro a pena para outro corpo em resignação.


Sim, aquele mesmo!
O menor, o mais infiel dos seres,
Na eloquência do abandono
Abandonando o próprio corpo no buraco estreito dos prazeres.

Aquele que te sentiu na amargura de cada toque
O gosto azedo da brusca partida calamitosa,
Acionando a sirene do adeus
Difundindo um ser em outro termo.

Aquele que se sentiu como um Deus
Dos mais vadios, digno de fazer companhia ao demônio,
Na escala mais podre e desgraçada do inferno
Substanciando o carbono, na química do prazer.

Sem dormir, jazia o cadáver vivo
Na câmara carnal das especies mumificadas,
Das almas nas incessantes rotações desqualificadas
Pairando acima das cabeças arrancadas.

Não morreria, sequer uma só vez
Para constatar que apesar de morto,
Ainda estava vivo,
Encontrando com o próprio corpo morto.


Sim, este mesmo!
Aquele infeliz de carne e osso,
Reatando na impureza do nascer
Desqualificando a especie que recriara.

Adormecendo dentro da tumba inóqua
No limiar de qualquer sentido desfalecido,
Apedreja a alma que se esconde dentro daquele cadáver,
Esquecido mas lembrado pelo eu etéreo.

Então na iniquidade do amanhecer
Banhou se na cura doentia resgatando o paraíso perdido,
Na calamidade da escuridão que de tão clara cegava o olhar
Não viveria mais um segundo sequer para provar que estava errado.

Então! Balbuciando uma infinidade de vermes e versos
Da língua fez instrumento de morte,
Cadavérica era a imagem reproduzida naquela noite,
Acoplado a uma química substancial provou meio segundo de esperança.

Não esperou que fosse dita,
Ou dada a tua sentença,
Condenou o próprio algoz a perpetuidade
Livremente, antes de qualquer decisão.

Enfim então o cadáver flutuava,
Naquele mar de ilusões infinitas, dúbias e diversas,
Flutuava sobre a água de mares nunca explorados
Imergia pelo ar nunca antes respirado.

Desconhecendo partes do que sempre acreditava
Dividiu o sim pelo não,
Trocando de pele a todo momento,
Repartindo os ossos para aquela multidão de roedores insaciáveis.



Sim, eu mesmo!
Aquele que nunca pode acreditar,
Sinceramente na luz da infinita aurora
Orvalhada e sublime, onde cava se a pureza dos enfermos seres de luz.

Acordando dentro da tumba
O cadáver do meu próprio eu, escreve me...
Em linhas retas e oblíquas o que resta do meu resto,
Atordoando a escuridão do caixão.

Raspou as paredes de madeira até que surgissem frestas,
Para no minimo a alma dali escapar fluir para o sincero devaneio cronico,
Alimentando se por dias dos próprios vermes , bactérias e pedaços da própria carne
Decomposta, na composição destes versos.

Cavou metros acima dos estilhaços do tempo
Engolindo a terra para que não cegasse os olhos,
Seguidamente de cada grão fétido daquelas camadas interiores,
Realojando se pouco a pouco.

Cavou tanto para cima tanto quanto para baixo,
Fez redemoinhos em alegorias perdidas enquanto escrevia
Nas camadas que ainda restavam percorrer,
Para enfim a luz alcançar.

Fez se a si mesmo um minuto de silencio
Pela desistência, pensou e repensou,
Parou então de cavar a esmo,
Em vão seria tua breve e inesperada chegada.

Parou novamente e repensou estranhamente
O objetivo de tanto folego guardado,
Para aquele dia de vitória,
Afinal! Venceria eu a morte?

Guardaria a mim esta decisão?
Pensou novamente, sem se perguntar mais nada
Somente a decisão da desistência agora o confortava
Voltou então pelo mesmo caminho.

Reorganizou a falta de pensamento,
Cuspiu a terra engolida,
Tapou cada fresta mal feita,
E enfim calou se para quase  todo o sempre.


V

Felizmente resolvo então ficar por aqui,
Em meio a podridão dos meu próprios vermes,
Que me comerão a pele, carne e quem sabe um dia enfim os ossos,
Assistirei a tudo com calma sem medo.

Afinal de que nos vale a ira da volta a superfície terrestre,
Senão simplesmente para ter que voltar a decidir e esperar,
Não decidirei mais nada!
Somente assistirei e sentirei cada verme enfermo alimentar se de mim.

Compartilharei minha carne com quem enfim ama a podridão dos seres terrestres,
Alimentarei cada ser vivo que por aqui me encontrar
Deus abençoe estes vermes,
Que enfim, me dizem mais que qualquer outro ser vivo neste universo.





domingo, 14 de julho de 2013

Religiosos Underground (Moralidade e Nobreza)

Redobre o dobro e divida,
Adição de morte em vida,
Desdobramento de dobras invisíveis
Mais do que o menos, atrocidade alérgica.

Desdobre a mente e os cabelos,
Enrole envolto a voltas,
Gire dobre e desdobre
Envolto a volta curva.

Curve-se a noite
Abstraindo o dia,
Aplique o sulfato doentio
Na pele do destino.

Desatino eclodindo,
Desalinho em roupas jogadas
Sem um vento destruía a chuva
Mais do que mais, menos é visível.

Destrua, construa, esqueça,
Lembre a noite em musica,
Musica morre em silencio
Poemas que mentem em decibéis surdos.

Ensurdeça a linha a culpa,
Entorpeça a calma em doença.
Infeccione a verdade em mentira
Cale a linha em forca.

Força, fraqueza em natureza,
Natureza cinza e negra
O verde morre em vida,
Drogue-se em morte viva.

Ferimentos aristocratas,
Religiosos do underground
Múmias podres cansadas,
Leito em palcos plácidos caídos.

Moralistas, moral ou mentiras,
Verdades?
Moralismo repentino?
Diferença.

Dias e dias, tudo é nada
Quando se mente em piada,
O idiota não esquece
Forçado a força, instalação de forca.

Repetições do passado
Alienações do futuro
A morte morre e vive,
Deus e demônio.

A moral é relativa,
A verdade é negativa
A dias, fazem dias ou anos?
Esquece?
Fácil, sempre mas nunca é.

Não dizem por não dizer,
Felizes abençoaram a castração
O menino caído morreu ai dentro,
Você que esquece rápido.

Enquanto a lembrança permanece
Vive anda, enquanto minhas pernas quebram
E amarro os braços,
Corto os dedos.

Toco fogo em meu corpo.


segunda-feira, 8 de julho de 2013

Poema Desfeito

 I

O amor é vadio
É noite em dia
Dia sem noite
É piada, um leito
Um poema desfeito.

O amor é vida é morte
É alimento e fome
É sede, vinho,
Água impura, suja, amaldiçoada.

É ódio, escuro,
Claro e incompleto
Completa-se em outro
Perde-se por nada.

Destruindo-se em si mesmo
O amor é tempo, mal calculado
Perdido, planejado  
É sangue, veias, carne, pele e poros
Para quem vive, não vive
Para quem nasce ou morre
O amor é culpado, sem ter culpa alguma.

Para os que se cansam, se perdem, encontram,
O amor é alivio, culpa, calor, frio desmedido
É mentira, vaidade, é verdade,
Não é nada, ou já foi tudo
Ninguém conhece ou desconhece, sabe ou entende
É agonia, harmonia,
Suicídio, almas, vidas,
Não tem tempo ou lei, não é doença ou cura
Não se paga, não se compra, não se vende a quem se doa.

Se recebe ou não recebe, pelo amor não te culpe
Não me culpe, não se canse,
Não o mate, não se odeie,
Não destrua ou construa
Amor não tem vida, não tem cor, cheiro
Perfume sem sentido, divida alheia
Um pedaço despedaçado
Uma flor imaculada.


Flor carnívora
Sem fome, ou sede
O amor não se perdoa só por somente amar
O amor ama se odiar, maltratar, doer, machucar.
Se não machuca, cura, ferindo a ferida cicatrizada
Alimentando tal palavra letras, pontos e versos
Falidos, expostos, exclusos.

Amar
Amor é distância, dor e cura
Não esta perto, longe
Nunca esta aqui, esteve ai.

O amor odeia amar, desconhece esta palavra
Se não pode odiar o que se ama
A quem se ama,
Que se odeie então os que amam
Que se percam os encontros
Encontrando-se em desencontros
Fatídicos, castrados, escassos, vazios
Cheios de falhas, perfeições,
Doente e imperfeito
Amor que vai, amor que vem
Que se foi, nunca ira voltar
Se voltar sem completar,
Incompleta-se só por amar
Se não amas, não perde, não ganha
Não vive ou morre.



Entretanto se existe amor
Em que duvida ele esta?
Em que tempo se perdeu?
Em que amor se encontrou?
Onde se esconde?
Onde procurar?
Em qual questão devemos formular tal palavra?
Tão forte, frágil, indignificante
Fútil ou verdadeira,
Amor não é uma palavra, são muitas,
Poucas, enfim nenhuma.

O amor não se conhece ou desconhece
Amor que padece em vidas
Amor que nasce em mortes
Em mentes cansadas
Em chances perdidas
Relógios errados, atrasados.

Então!
Encontram-se os amantes
Em estações descontroladas
Disparando sangue 
Especies despreparadas
Eloquentes então nada em vão.


 IV

Verão no inverno
Inverno no calor do verão
É outono em primavera
Estação desconhecida,
Abominada cria desvalida.

Amor é céu
Inferno, enferma cria do peito,
Escroto, cálice de palavras ao vento
É juiz, réu, formulário vencido,
Um abismo calculado
Uma queda, um acaso
Um descaso, um repouso
Um olhar, uma divida
Um espaço, um vazio
Uma certeza, uma duvida
Amor é nada, tudo.

Amor é somente amar?
Palavras, gestos indigestos,
Sementes, pele, pelo e pesos
Amar é somente amor?
Sentidos, fluidos, carne ossos,
Sangue, penas, números fatídicos,

Amor?



sexta-feira, 5 de julho de 2013

Demônios de Deus

Ali estou presente, acima e abaixo,
Literalmente coordenando o braile no peito
Seguindo a transfusão desorientada,
Retiro o cateter da alma.

Atravesso a pele do pescoço
Na altura do pênis, ereto e impotente,
Retro cardinal, cardeal ou puta,
Monges falidos ou velhos babões?

Engolindo o cadáver de minha freira prostituta,
Introduzo-me no teu espirito enlameado
Infeccionando o ego marginal, oriental,
Rasgo a ferida diferindo-me da pauta em assembleia.

Ali estamos, em cima do morro
Resgato os projeteis introduzidos em meu corpo
Pelos padres estupradores de almas infiéis,
Tocadores de harpas contemporâneos e veteranos de guerra.

Rabiscando nos hologramas da indiferença
Faço-me igualmente o menos puto dos putos,
Pois sangras em agonia adolescente envaidecida,
Sendo assim canonizando os dinossauros.

Vendendo partes das minhas surpresas para os demônios de deus
Sacrifico então todas as ovelhas ordenadoras de pastores
Seguro-te então, e do vicio abandonado
Abrando a pureza do destino de meu hospício interno.

Inferno! Porque clamas um termo no termino do terço,
Explique a oração na abertura, ali abaixo da pele,
Enrolando os cabelos em volta do intestino
Retiro os rins e reitero a afirmação.

Céus! Que branda chama derrete no peito dos homens?
Que da bondade só viram a morte,
E na maldade fizeram lei eterna, pura, suja e viva,
Entorpecendo a linha ténue da castração humana.

Alieno-me envolto em catedrais de lixo dolente,
Aspirando partes de minha revolução áspera
Entorno o cálice de sangue na boca petrificada
Fazendo das lagrimas dilaceradas a cura para a vitória.

Parte do ego cego infinitamente diluído
Divido, respiro menos que enxergo,
Calo-me mais do falo, cego, castro,
Desapareço, em braile o asco.






Nada de Mais (Comum)

O mais imortal dos seres humanos
Caiu na febre de ser Deus,
Desnudo e castrado envelheceu
Sem ter perdido sequer, qualquer chance de golpear-me.

Estremecendo a carcaça clara alimentou os jovens
Em tempos dispersos saudando um passado inebriado,
Na neve de teu calor etéreo
Eternamente apodreceu.

Simplificou os gestos cansados de um sonho morto
Atraindo ovelhas para um rebanho de zumbis
Odiosos e alienados seguiam seus passos
Sem saber nada sobre o cheiro do ar.

Bebiam da água envenenada como lobos sedentos
Caindo no lodo da mesmice aguda,
Choravam sorrisos sem desanimar um segundo
Contando as horas nos anos que estiveram ausentes.

Ninguém soube a verdadeira estória sobre aquele templo,
Que de tanto cair levantava-se através das mentiras já póstumas
Manipulando a desordem nos corações de burgueses insólitos
Estudava partes das mentes juvenis para reconstruir os dentes perdidos.

Alguém soube do que se tratava?
Ninguém perde a cura se em fúria adoecer,
Na paz da guerra visitava o eu estrangulado
No tempo em que foi discípulo de Nosferatu.

Para o Deus do vinho e da carne se fez a gloria,
Espessa e transviada no termo que esconde,
Da vida amargurada azedando o leite perdendo a mandíbula,
Que em lunáticos pensamentos controlava-se em descontrole.

Descomunal era o ébrio que calava a vida do outro
Infeliz era o ego que destruía qualquer chance do oposto
Convencional era a maneira que configurava cada passo amigo
Elaborando o mal do próximo passou de fase perdeu o jogo.

Calando assim seu bonequinho de estimação,
Vudu jurássico que de tento defecar nas fraldas
Das retóricas nas sombras das mentes inertes,
Transformou-se apenas, num criador de assaduras anais.



quinta-feira, 4 de julho de 2013

Água

Eu bebo da bebida mais fria
Esfrego o corpo quente nas tuas partes mornas
E o tempo que engulo feito esperma seco
Bloqueia a traqueia.

Retiro pedaços do rins para alimentar meus vermes,
Afogo meu sexo dentro do meu próprio anus
Engulo as vísceras do meu corvo de estimação
Abrandando a dor da ejaculação tardia.

Sugando os seios negros aposto na derrota,
Espectro traidor tardio de minha abolição
Eclodindo as vestes, rasgando a contemplação,
Visto-me de pele e ossos.

Resgatando partes de cada suspiro
Sufoco o grito da alma viciada,
Que espera o amanhecer
Mais que o anoitecer.

Respiro as tripas que então me restam,
E das veias congestionadas
Faço nossa forca, sem força para pular
Jogo-me.

Espero tua queda, o corpo que cai pra cima do abismo
Feito orgasmo que sobe no peito
Goza de mim pra mim
Então fecho, cubro-me de fezes.

Costurando a alma com restos dos pelos
Que restaram de minha dúbia partida
Engulo o sangue quente, espremendo a ferida
Aberta e inflamada.

Esperando a cura da pele,
Distribuo os pedaços de carne
Para os urubus que andam a nossa volta
Somente andam, pois asas não tem para voar.

Ejaculando em vômitos,
Estrangulando em orgasmos,
Abençoei um a um
Quebrei a lamina, apodreci.


Perfume

Nasceu na podridão de um seculo qualquer
Em meio as tripas e cabeças de peixes mortos
Sem poder enxergar, apenas chorou
Mandando a mãe para a forca.

Cheirou me os dedos sujos da podidão do meu sexo
Fétido e acumulando odores calou-se por anos
Respingando um terço de alma
Sentia cada perfume como se fosse único.

Estalou a química e do álcool fez estrada
E da estrada deu-me a morte
Restrito a obsessão que jorrou da mente
Distribuiu-se em cada parte de sonhos que tinha.

Assim vendido, matou sua primeira carrasca
Partiu para beber seu própio insólito veneno
Sobrevivendo do suor que exalava
Abençoado pelo frio, fez-se o perfume da vida.

Em suas narinas torpes criou seu destino
Cambaleando entre a pureza e a maldade
Em inocência pura abrigou teu nome
Entre os óleos e essências desconhecidas.

Assim vendido novamente,
Matou o próprio pai
Vendendo a alma para teu único demônio
Sendo ele, o próprio.

Restaurando a paz no consciente
Na inocência se fazia o crime
Da inconsciência que sangrava
Relatando cada perfume que encontrava.

Da pele se fez o sexo que alimentava
O orgasmo dos odores da carne
Libertando-se da cura doentia
Restaurando a vida em morte.

De cada vitima
A pureza virginal de cada seio
Abençoava o Hímen intacto
Talhando a essência da pele em gotas de morte.

Dando vida ao que calava tua mente
Claro e sombrio era o pensamento
Alimentando o desejo sobrepondo a culpa
Em satisfação obliqua e absolvida.

Mediu as regras medianas da sociedade podre
Que exalava burguesia e submissão
Para o tempo em que não somente
Se fez o ato, cumpriu-se então o destino.

Das almas dignas da pureza castra
Das vidas indignas dos pais das melhores castas
Se fez o melhor dos mais perfeitos odores,
O perfume perfeito.

E do alto da cruz, abriu então o pequeno frasco
Dando a todos o destino do hoje
Humanos canibais, boçais,
Comeram-se uns aos outros.

Numa infinita dança dos egos
Pele carne e ossos
Se fez a lenda
Não a cura.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Pulso


Comemoras o dia 
da solidão, as palavras 
serão esquecidas ou apenas 
nunca mais ditas a não ser em pensamentos

Ou talvez

as temerás mais uma vez e 
partirás para um lugar 
onde julgas poder sentir o mundo 
pulsar na tua pele 

Afinal imortal nos olhos 

passará o filme aquoso 
do que viveste viverias 
de novo esse presente obscuro 

Tão futuro já então 

por vezes confundias o teu corpo 
com o ar ou a água e entregavas 
à sua transparência