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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Fim



Rastejei pra casa que não era minha
Carregando um fardo de desilusão
A poesia da manha era simplesmente nada simples
Meus ouvidos sussurravam tua voz
A voz que não era minha, talvez dele, dela ou delas
Meu único algoz o dono da culpa, aquele cheiro, aquele desejo
Te dei em palavras meu último caminho sem volta
Eu não via mais, não ouvia mais, não sentia mais
A chuva que caia, o detalhe o momento
E todas a dores e amores se foram
E toas as duvida e respostas vieram
Era o dia a noite uma escolha
Uma chance para o fim ou uma passagem para o inicio
Pra onde, eu não saberia, talvez se eu me desse essa chance
As condenações viriam a cair por terra
Para um único dia de vida, perdendo os anos em morte
E se eu não pudesse mais, acho que não posso mesmo
Acho que não devo mesmo, acho que eu deveria
No ultimo segundo, coragem não era mais meu nome
Era um desejo de não desejar mais nada, nem a morte
O fim de uma vida que não era minha
Eu havia roubado tudo de mim mesmo
Pra onde deveria ir toda essa culpa
Eu não me via mais no espelho
Não tinha mais sombra
Sempre fui todos aquele que vocês desejaram
Cansado, machucado demais pra seguir com isso
Pulando pra fora de tudo
Entrando para o vazio completo
O único lugar, a sala dos covardes
Do meu inicio fiz meu fim
Do meu fim teu recomeço


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A Culpa Perfeita


E o trago me veio amargo
Cansado do sabor desfeito
Bebi em segredo o afago.
Rasguei-me em seus cabelos
Desfazendo-me em olhos adormecidos
Abracei a faca pendurada em meu peito
Refiz o trajeto de ida
Desenhando o caminho desfeito.

Doente e culpado pela falta de culpa
Não poderia culpar-te em vão
A culpa dos fortes
Define a ausência de morte
Dos fracos abençoados em desejo

Beba-me em goles quentes
No frio de tua alma em deserto
Calo-me em profundidades rasas
Rejeitando a pena a mim não aplicada
Deveria então, sufocar as lagrimas que coagulam?
Ou simplesmente, apertar a mão dos que me odeiam?

Da culpa desenterrei mil abraços
Colhendo em morte a vida recebida
Anoitecendo em braços soturnos
Amanheci vagando a noite
Bebendo a calma no caos de um dilúvio tardio
Abençoado pelo teu Deus em dor
Plantei meu sangue no espelho desta lâmina
Que te envio agora sucumbindo em silêncio
Derramando minha última gota de morte
Pelo caminho nunca percorrido.


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Violenta Santidade


Registrou em meus pulsos, ele disse:
- Pulsações desconhecidas.
Mas a  castidade não fazia parte daquele plano
Era roubada a cada minuto, ela não sustentaria mais
A santidade pecava em perversão divina
Em escuridão eterna o mastro de fogo
Afundava em sua carne fria e castrada
Cansada dos padres e monges
Relatava seu descaso com gravuras em meu corpo
Atravessando-me a pele com unhas e castiçais em brasa
Cordeiros sangravam sobre a mesa
Em noites regadas de absinto e ópio
Culpando o céu que desabava sobre estes corpos,
Bailavam em segredo as almas santas
E se sufocavam, blasfemando dentro do velho livro sagrado
Beba meu sangue, cuspa minha carne, ela disse:
- Devolva-me os pecados;
- Deus castrou você?
Violenta santidade, sangrando em corpos santos
Absolva estes pecados tanto quanto me deseja
Deus dos homens, senhores das terras do universo
O infiel te deseja em lealdade a ele
Doando tua vida em sacrifício
Fingindo salvar estes insanos pecadores
Demônios santos, tua imagem e semelhança
O espelho também te traiu, me traiu, nos traiu.
No universo que restou a alma vaga dentro do corpo
Já não é mais teu, é dele e nosso
Fugindo da pútrida lembrança,
Castigadas, sangram nos castelos da luxúria santa
Fingindo salvar o universo da própria alma que grita,
Do próprio corpo que queima e deseja mais que a santidade
Tanto o pecado quanto o pecador



quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Alivio


O brilho dos olhos
O sangue da alma
O  ouro da dor
A mentira a chance
Esta tudo bem?
Não precisa dizer
Seu espelho se quebrou
E sua mente se foi
E tente te dizer
Tudo em vão
Então recebo o pagamento
E o vício
E a culpa
E a dor
Vou até lá e não era mais o mesmo
Vendo a alma, a tua
Completamente sem sangue
Respiro a água e troco de coração
Afogo o meu delírio
Recebo teu vicio
Exploro os caminhos por implorar por um pouco do teu sangue
Sem entender entendo o que já não é mais possível
Mas sempre será
E o que existe foi apenas arrancado, trocado
O que foi deixado de forma vazia
Agora esta cheio
Nós voltaremos
Até o fundo, até a beira
Até o alto
Levado pela maré