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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Obscuro

Deitado sobre a grama observo as curva sonoras do vento
Perdi a linha em que me foi confidenciada a verdade
Mesmo não tendo forma alguma para poder imaginar
Toco as nuvens que se formam acima de mim.

Atento-me a única solução possível
A calma na sub-existência descomunal
Na mesma paciência que sou obrigado a engolir
Nas diferentes faces que sou ensinado a cuspir.

A moeda de troca é um pedaço de morte
Onde se escondem camadas de vida
A podridão da mesquinhas presenças
Diferem os ferimentos dos passageiros.

Rabiscos que vibram saltados na pele
Atordoando os olhares que falam
Mais do que boca calada

Na esquina em que esquecemos nossos pensamentos.

Paraiso

A morte perdeu suas lágrimas
Com nossas filhas adormecendo na lama
Glorioso destino ausente
Para fora das portas das cabanas de vidro
Lá, por onde retiraram nossos olhos
Nos colocando em frente as portas do paraíso.

Nos buscam através dos muros
Nos dão um rótulo e um numero de série,
Cravam es nossas gargantas...

Todos nos dizem sempre o que não deve ser dito
Colocam fogo em tua família
Queimamos todos juntos
Como esqueletos feitos em espelhos.

Sem voz, você corre
Cego de alma
Com os olhos quebrados
Nos fazem nos calar.

Aceito a condenação.
Adormecendo no banco dos condenados
A mente me faz réu
A dor é meu juiz
A vida nossa culpa.

O amor morre junto aos corpos quebrados
A noite o elixir dos rastros
Difundido em espaços escassos
Contornos os sonhos
Esquecidos em ausência.

Na cura para dor?
A morte, partindo para o infinito


Inicio



O reflexo da sobriedade,
Absorvendo a sanidade,
Roupas não te fazem sentir menos frio
Do que o calor que nos absolve.

Eu consegui no desvio de um olhar,
Nos abastecer para todo o sempre,
Eterno e etéreo na calamidade invertida 
De todo o abstrato.

O reflexo no espelho não nos torna mais vivo,
O espelho que se quebra não nos traz mais azar,
A sorte não é algo que se compra,
A verdade não é algo que se roube.

Os sentidos não corrompem os sentimentos,
Quando em cada linha de pensamento,
Nos comprometermos a ficar,
Nos desfaçamos dos seres que não somos.


Renascem



Invertido em fumaça,
Observando os escombros,
Reconstruindo os espaços,
Que a mim foram dados.

Na língua que cumpro,
Na língua em que digo,
Na obscenidade cruel, 
Em que me roubam a verdade.

Na espécie, não acredito,
Só cumpro,
Vou além,
Na indigna desvalia.

Em que me tomam um dia,
Em que te tomo neste dia,
Em que me tomam um dia,
Em que te torno neste dia.


As águas



As águas se movem
Na dança da vida,
Onde a vida se esconde
Na procura da alma.

As água se movem
Escondidas na lama,
Das casas perdidas,
Na procura da vida.

As águas não molham,
Se secam e choram,
Perdidas no espaço,
Em que não cabem, transbordam.

As águas socorrem,
As águias que morrem,
Na fertilidade do desespero,
Na virgindade do desejo.

As águas se explicam,
Nos convencem,
Reivindicam,
Na brutalidade, da tempestade.

Ás águas que bebo
Não matam a sede,
Não molham não secam
Não vivem, não morrem.

As águas me bebem,
Me sufocam, me afoga,
Na simplicidade
Da transparência, em que vivo e morro.

As águas levam,
As águas trazem,
No decorrer da vida,
No espaço da carne.

As águas esperam,
Descem e se escondem,
Na perseverança do acaso,
Na certeza do escarro.

As águas nascem
As águas não morrem
Águas e águias
Algas e águas


Os Dias



Os dias irão passar e a cada dia passado
O passado não será lembrado,
Os dias irão passar e a cada dia passado,
No passado ficara.

E os dias que não passam?
Que no presente estão,
E os dias que passam?
Na ausência deles próprios.

Os dias irão passar,
Como cada noite na eternidade ficara,
Os dias irão passar,
Como cada dia na noite perderá.

Os dias são como o pranto,
Escondidos na miséria deste canto
Livre, escondido, aprisionado,
Como um pássaro em uma gaiola amordaçado.

Os dias passam eu fico, não vou,
Os dias passam eu sinto, eu sou,
Os dias passam eu vejo, não me vejo,
Os dias passam e derrotam o desejo.

Os dias ficam, sonham, e morrem,
Os dias permanecem, ficam e correm,
Os dias se calam e falam e falam,
Os dias, são dias em que me encontro em desencontro.

Dias escuros e claros,
Dias belos e feios,
Dias longos e curtos,
Dias e dias, longos dias.

Entre a tristeza e alegria,
Não me perco, te encontro,
Entre o pranto e o sorriso,
Não me vejo, mas te vejo.

Dias permanecem, não se esquecem,
Dias em vida, dias em morte,
Dias e dias, noite e dia,
Dias e dias longos dias.


Eu e o Realmente


Realmente, na real,
Eu não espero acordar,
Na vista que te olha as cegas,
Eu não espero acordar.

Realmente, na real,
Eu não espero dormir
No sono que me culpa,
Antes do dia em que me abrir.

Realmente, na real,
A verdade, é o enigma da cura,
Na doença que nos procura,
Na duvida seguinte.

Realmente assim espero,
Espero, não esperar,
Espero acreditar,
Espero sempre duvidar.

Logo eu, eu?
Sempre carregado de incertezas,
De indomadas certezas,
Pude eu acreditar?

Logo eu, eu?
Que nunca fui,
Não vou,
Não seria.

E na metade da tua capacidade,
Que não me condena,
Dentro de ti,
Nos teus sonhos permanecerei.

Em longas datas e lágrimas,
Em longos amores e sorrisos,
Em curtos espaços de tempo,
No tempo em que volto.

E assim eu fico, permaneço,
Mesmo sem ficar
Eu sei que estou
Eu sei que somos.

Na medida do tempo
Em que sou, você é,
Somos, vida após vida
Amor de um só amor