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domingo, 14 de julho de 2013

Poço

Sempre ao fundo das manhas menos completas,
Desalmados dentre os humanos, incompletos idiotas,
Registrando todas as fotografias nas mentes dos calígulas,
Aleijados de cérebro, impotentes de alma.

Cessavam entre as agonias toda e qualquer parte dos núcleos nucleares terrestres,
Humanos invencíveis, vencidos ou calados?
Falavam mais do que a boca entre os dentes brancos cerrados
Soltavam fezes pelas mãos.

Sorrisos amarelos brilhavam entre as envoltas luzes de gelo seco,
Sombrios os espectros das alegrias inertes
Cansavam cada brilho das luzes que se apagavam,
Ninguém veria mais a luz no fim do túnel.

No poço escuro, ele escalava raspando as unhas
Nas extremidades fugazes das paredes,
La de baixo, ouvia-se o som da lua
Lunática e observadora apedrejava os olhos de quem a olhava.

Da pele branca em cor de neve, escurecia os olhos
Que não mais brilhavam na pele que refletia a dor,
Simplesmente o simples seria a calamitosa ardência,
Que cobria o desejo transformando a culpa em suspiros.

Extraordinário o lúgubre espaço que não restou
De minha partida alucinada acelerei o desconcerto
Breve e culpado de nenhuma culpa foi tudo longo
Na latitude infeliz de um laço quebrado.

Infiel de ladrão de estrelas passeando pela noite
Tropeçava nos buracos das ruas atrofiadas
E tudo que se quebrava era o que nada podia ser revisto,
Conceitos inertes de tuas vísceras abandonadas.

Na calamidade do intestino podre
Perdia os rins em meio aos sentimentos,
Alguma alegria de todas as tristezas que restaram
E tudo que somente morreu, é vivo.

E o que resta, o que eu tenho aqui dentro?
E que num estalo de nobreza quer somente retirar?
Reitere não penso, somente existo,
Por enquanto, por enquanto, só por enquanto.

Esconda-me então na tua espécie de cela,
Perfumada na ausência de minha pele
Onde diz qualquer palavra que quiser,
E onde nada ficara bem ou mal.

Reproduza na minha linha vertebral em tudo que machuca,
Além dos desatinos e confusões,
Tudo que posso e peço, não tem mais valor
Tudo que digo ou sinto não tem, mais valor algum.

Humanos vampiros bebem o sangue de meninos mendigos,
Calando as vozes da inocência,
Para todos que vivem em morte
Desejo somente a vida, fria, cansada e dolorosa.


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Fim



Rastejei pra casa que não era minha
Carregando um fardo de desilusão
A poesia da manha era simplesmente nada simples
Meus ouvidos sussurravam tua voz
A voz que não era minha, talvez dele, dela ou delas
Meu único algoz o dono da culpa, aquele cheiro, aquele desejo
Te dei em palavras meu último caminho sem volta
Eu não via mais, não ouvia mais, não sentia mais
A chuva que caia, o detalhe o momento
E todas a dores e amores se foram
E toas as duvida e respostas vieram
Era o dia a noite uma escolha
Uma chance para o fim ou uma passagem para o inicio
Pra onde, eu não saberia, talvez se eu me desse essa chance
As condenações viriam a cair por terra
Para um único dia de vida, perdendo os anos em morte
E se eu não pudesse mais, acho que não posso mesmo
Acho que não devo mesmo, acho que eu deveria
No ultimo segundo, coragem não era mais meu nome
Era um desejo de não desejar mais nada, nem a morte
O fim de uma vida que não era minha
Eu havia roubado tudo de mim mesmo
Pra onde deveria ir toda essa culpa
Eu não me via mais no espelho
Não tinha mais sombra
Sempre fui todos aquele que vocês desejaram
Cansado, machucado demais pra seguir com isso
Pulando pra fora de tudo
Entrando para o vazio completo
O único lugar, a sala dos covardes
Do meu inicio fiz meu fim
Do meu fim teu recomeço