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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Lua Morta


A escuridão com que eu me encontrei era só o inicio
Não foi assim sempre, só não me lembro como começou
Meus passos relaxavam entre as pedras e as estrelas sem luz
Era a hierarquia dos abandonados pela paz
Sempre nos perdíamos entre os espaços inexistentes
Era culpa da luz, dos iluminados da dor celestial
Deuses sangrando sequestravam nossos filhos
Eles matavam em paz morrendo antes
Nervosos cães pulavam no abismo
Regras passadas para unicórnios cegos
O sol, a vida e a politica dos mortos
Sombras nas arvores testemunhando assassinatos
Prazeres adormecidos em cadáveres sonâmbulos
Cristais de barro em altares purificados
Luas vivas dentro de seres mortos
Tumbas abertas no deserto do coração
Os estúpidos motores que nunca param
Então não existem mais respostas
Para as perguntas que nunca existiram
A duvida não existe teu deus esta morto
Bebendo fogo para aliviar o calor
Cegando olhos cegos
Perdendo sentidos


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Flores de Pedra


Não me traga mais flores
Quero velas de sangue
E sonhos em pó
Litros de alma incolores
Dançando em volta de mim
Respiro este ser pra me perder em círculos
Troco meus olhos por cacos de vidro
Hoje abraçando a escuridão de uma dúvida
Vendendo meu segredo
Adormeço em teu seio
Escute ela, ela sabe o que diz
Sou só um erro no seu passado
Atrapalhando um presente
Roubando um futuro
Agora sim, acordou?
Trate ele como um doente
Assim como todos que não enxergam ele
Desabafe nos ombros, ela sabe o que diz.

Não me traga mais vida
Já nem tenho mais a dele
Sinta pena e troque de liquido
Assim como todos os fracos foi só mais um
Ele é dela ela é dele eles somos nós
Mas assim como só mais um sou meu único erro
Tua única perca de tempo
Escute!
Deixe, abandone sua pena comum é minha condenação
Coordene os fatos fuja, ainda existe o tempo
O presente é a arma da dor futura
Sim ele esta doente receba o com pena
Com a pena e dó dos que sentem
Sem medo tive medo
Já não era dia, noite ou madrugada
Era só o que era e o que eu fui já não servia mais
Ele nunca entende e quem entende?
Posso voar, cair, beber vidro, e comer fogo
Se um dia sonhei, já não mais
Ele não é capaz divida-se, divida-me

Não me traga mais sonhos
Me traga um gole de morte
Um cadáver vivo
E uma cela escura na bandeja
Abençoem meu sangrem na orquestra do adeus
O único limite ele não conheceu
Ele não presta só duvide ele é a morte
A mentira a doença a dor e o perdão
Só um nada menos nada, menor que o nada

Céu de Minha Morte


A última gota do meu sangue você bebeu
Não me deu chances, eu tinha sede
E tua alma sangrava desenhando o céu de minha mente
Eu engolia a fumaça pra provar que morte é  dadiva
Dos que sofrem calados e não sabem como mentir
Sempre procurando uma saída ela estava

Mas promessa é ouro quando se doa em alma
E minha vida era só mais uma
E o amor talvez só um
E minha carne era de pedra
E sonhos só vagam
Mas meus olhos eram únicos e teus
Infinitamente teus
Então me propõe a ir
Fazer parte deste vasto céu de amargura
Meu corpo podre, meu único alimento
Meu sangue impuro a última dadiva a secar

Vendi a nascente de minha alma
Precisava de água, sendo assim
Não há mais como voltar atras
Sim irei até o fim quem sabe no infinito não haja julgamento
Desligando as assinaturas dos meus pensamentos
Esperando um lugar mais escuro pra esconder meus ossos
Iremos até la acenderemos uma vela e mataremos nossos pais
Eles querem ir embora não posso deixar
Mas alma é lixo quando se quebra uma promessa
Amor é vaidade, queime meu coração e me rejeite
Eles não são dignos, meu coração sem olhos
Bebendo sangue da nascente da alma
Procuro enxergar a natureza em olhos de peixes

Mas promessa é ouro quando se doa em alma
Vida era só mais uma
E meu amor só mais um
E minha carne sem sangue
E  sonhos vagam...
Mas meus olhos eram únicos e teus
Infinitamente teus
Então, me propõe a ir?

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Violenta Santidade


Registrou em meus pulsos, ele disse:
- Pulsações desconhecidas.
Mas a  castidade não fazia parte daquele plano
Era roubada a cada minuto, ela não sustentaria mais
A santidade pecava em perversão divina
Em escuridão eterna o mastro de fogo
Afundava em sua carne fria e castrada
Cansada dos padres e monges
Relatava seu descaso com gravuras em meu corpo
Atravessando-me a pele com unhas e castiçais em brasa
Cordeiros sangravam sobre a mesa
Em noites regadas de absinto e ópio
Culpando o céu que desabava sobre estes corpos,
Bailavam em segredo as almas santas
E se sufocavam, blasfemando dentro do velho livro sagrado
Beba meu sangue, cuspa minha carne, ela disse:
- Devolva-me os pecados;
- Deus castrou você?
Violenta santidade, sangrando em corpos santos
Absolva estes pecados tanto quanto me deseja
Deus dos homens, senhores das terras do universo
O infiel te deseja em lealdade a ele
Doando tua vida em sacrifício
Fingindo salvar estes insanos pecadores
Demônios santos, tua imagem e semelhança
O espelho também te traiu, me traiu, nos traiu.
No universo que restou a alma vaga dentro do corpo
Já não é mais teu, é dele e nosso
Fugindo da pútrida lembrança,
Castigadas, sangram nos castelos da luxúria santa
Fingindo salvar o universo da própria alma que grita,
Do próprio corpo que queima e deseja mais que a santidade
Tanto o pecado quanto o pecador



Distopia


A versão do sonho real foi desconstruída
Enquanto andava pelos vales sombrios de concreto
Onde nenhuma alma mais vagava
Arrastando suas correntes de mármore
Perdoou-se em paz.
Não era o sofrimento que acalmava o corpo
Era o corpo dirigindo-se ao sofrimento
Com a calma e a pureza de um Deus morto.
E nos víamos em vantajosas curvas,
De um único pensamento
De um único sentimento;
Frustrando e enganando o próprio tormento
Como em um ritual macabro,
Daqueles que cegam os olhos mais puros
Trocava sua alma por cordas e correntes
Era o que podia tentar não ver, mas via e ouvia, sentia
Registrava todos aqueles gritos em seus tímpanos alienados
Mas não estendia a mão, não pronunciava qualquer palavra
Revisitando aquele sangue teve a chance de não mais acertar
Redescobrindo tudo aquilo que já não mais existia
Atravessando seu caminho como se fosse outro

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A Falta


Meu único e último segundo de vida se foi entre todos aqueles minutos que eu não sentia teus mistérios e segredos em frente aos meus olhos desprovidos de cor sem o brilho de tua pele, como a luz que arde, virgem, em meu peito anoitecendo em torno de minhas células, registro tua falta no tempo em cada ponto em que sua imagem atravessa meu pensamento em formas inalteráveis de cores, perfumes e sentimentos.
A nebulosidade ameaçadora da sua falta eu não podia calcular sua presença física sempre foi incalculável, inalterável depois de certo tempo dentro de mim, a falta é como prever cair o peso do universo sobre meu infinito, as palavras fogem a cada instante agora em que eu precisava me dizer, o sol agora é algo que não queima somente escurece e de longe eu vejo e sinto que não posso trazer nenhum sincero sonho para me adormecer agora neste dia tão quente pois sempre ao anoitecer nada do que eu via era simplesmente tudo que eu precisava deter dentro de mim, as veias que estufam e pedem mais sangue pra me dividir em mil partes só tuas, pra me contar mil segredos só teus, divergindo da culpa ataco meu paraíso distribuindo cada célula do meu sangue em mil em partículas de ar imaginando assim atravesso os tempos pra te buscar em cada sonho e pedaço de solidão, arrancando meu coração, tirando e colocando de volta em teu peito respirando você em cada poro da minha pele que você tocou dentro da tua.
A distância é algo que já não mais me apavorava mas me consumia, e não me atraia nem um pouco sentir você em espaços tão curtos de uma vida entrelaçada, em cada dia, em cada vida, em cada pedaço do meu tempo indesejado trocado ferindo o coração com o qual se compara.
Então despenhamos para o alto, extasiados, olhos tornam-se estrelas no mesmo brilho, estelares os corpos que se afastam mas não confundiam-se em nenhum espaço ou tempo recriado pela memória as vezes ausente, não queria mesmo calcular tua falta eu enlouqueceria visualizando este casulo, como em o teatro da crueldade me vi sangrando fora do meu corpo, dentro do teu transportando cada segundo de memória recriada reproduzindo como uma peça surreal de infinita e obscura beleza para meus olhos assistirem enquanto desejamos a inexistência do tempo em que me faço falta, te faço falta, desobedeci os deuses do tempo tive minha pena transfigurada para não sonhar mais em desconhecidos espaços percorridos, traduzo tua falta em delírios repetindo a febre noturna invadindo parte de minha inocência roubada mas ainda reconhecida junto aos meus limites, doarei meus olhos se for preciso só para que te encontrem possivelmente em outro olhar mesmo que não seja o meu no instante de minha ausência corrompida por  aquela indecisa luz celeste.
Digno da tristeza que se vê nos olhos dos que nunca viram o brilho de uma estrela é como traduzo em inúteis palavras tua falta, não encontro nada que eu possa dizer para aliviar a falta, somente sempre lembro a gente sempre quase morre tentando provar o contrario.



Inalterável


Sim! Eu estava la todo aquele tempo
Quando eu precisei dizer a mim mesmo
Algumas simples palavras
Me calei em simples gestos nada generosos
Armei-me em mil pesadelos de formas e maneiras
Inalteráveis e ingênuas que pudesse imaginar
Naquele momento o inicio era o fim
O meio era praticamente nada
Rugindo, enquanto as almas se confiavam.
Assim então a vaga dos instintos presos foi preenchida
Escolhidos sem ter a chance de opinar
Os encontrados figurantes noturnos
Arrancandos do meu crânio por entre as nebulosas
Para prever enxergar todo tempo em meu tempo
Tempo em que a tragédia em cena já não me basta.
Sim! Não desejaria transportá-la para minha vida.
Mas assim se fez, não!
Não desejaria nem ao meu pior amigo
Aquele que em todos os caminhos não encontrou real abrigo
Nem a devida classe para representar tal cena
Difundido na própria derrota, desejando...
Para os únicos amaldiçoados indivíduos encontrados dentro dele
Perdoaram para poderem penetrar por entres os castelos abandonados
Da penumbra e da luxúria se fez companheiro mais infiel
E com uma sede inexplícavel bebeu o sangue de mil homens mortos
Envergando meu crânio para o horizonte dessa guerra
Recebo tudo que eu devo transformando sangue em vinho
Beberam sem duvida alguma cada gota daquele ser
Não! Ninguém vomitou, foi tudo um sonho e do final ninguém se lembra
Nem o padre, muito menos o cadáver da noiva.